Pressão afeta postura de candidato do PRB

Celso Russomanno sentiu a pressão dos adversários dispostos a colocá-lo contra a parede. Expert em formular frases de efeito, com princípio, meio e fim, pela primeira vez, em quatro debates, ele perdeu o rumo da resposta que ia dando a Paulinho da Força, logo no início do programa. Aconteceu quando foi acusado de votar contra o trabalhador no Congresso. Não demorou muito - ainda no embate com o candidato do PDT - para recorrer ao bordão inaugurado por ele na semana passada, em entrevista a César Tralli no SPTV (Globo) e que já virou alvo de deboche na internet: "Eu gostaria muito de discutir a cidade de São Paulo". No segundo bloco, Russomanno voltou a perder o fio da meada em resposta ao bilhete único proposto por Fernando Haddad. Disse que queria favorecer quem usa menos o transporte público, e não quem mais precisa dele. Como diria Silvio Santos, estaria ele certo disso?

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h02

Na contramão do candidato do PRB, Gabriel Chalita surpreende a cada debate. Incisivo sem beirar a agressividade, exibe evidente progresso do encontro da Band, o primeiro desta campanha, até aqui, na clareza, na concisão e no conteúdo do discurso. Defendeu-se sem tropeçar na ironia, desfilou argumentos com segurança, exibiu elegância nos modos e na gravata, bela gravata. Por falar no acessório, José Serra reprisou a mesma peça em dois debates, não ontem, mas desta vez foi Paulinho quem repetiu a sua salmão, vista na RedeTV!. Faz parte do show, a exposição de um guarda-roupa modesto, mas é de se crer que os candidatos em questão tenham lá mais de quatro gravatas, não?

A presença de uma âncora, no caso, Maria Lydia, alivia delicadamente a cobrança por prazos de perguntas, réplicas e tréplicas, a ponto de passar ao espectador a ideia de que cada um falava o quanto quisesse. Mera impressão. "OK, candidato", dizia ela, para interromper aqueles que abusavam do tempo. Ela própria se perdeu entre as regras, ao ser inquirida por Levy Fidelix para que lhe desse mais uma tréplica. Sim, ele estava certo, mas, por um segundo, a mediadora titubeou e aguardou pela ajuda do ponto eletrônico: ela deveria sortear alguém que lhe fizesse uma pergunta, já que ele havia ficado sem vez na rodada.

Com cenário honesto e despretensioso, o programa usou painéis de multidões ao fundo e privilegiou a exposição de duas telas para mostrar as feições de perguntador e perguntado ao mesmo tempo. Exibia, assim, quem se contorcia diante da pergunta do adversário. Mas o áudio, em especial durante o primeiro bloco, deixou a desejar, fazendo vazar algum eco do estúdio para o televisor.

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