Presidente vai usar evento em São Paulo para prestigiar Afif

Dilma convidará o vice de Alckmin para assumir a nova pasta da Micro e Pequena Empresa, 39º ministério do governo

SONIA RACY , JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h05

A presidente Dilma Rousseff convidará o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) para ocupar ministério em seu governo e usará evento na Associação Comercial de São Paulo, na segunda-feira, para prestigiá-lo e manifestar a intenção de tê-lo em sua equipe.

Dilma, no entanto, não será explícita a respeito do convite a Afif durante a cerimônia. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que se afastou do vice depois da posse, estará presente no evento, e o Palácio do Planalto quer evitar uma saia-justa com o tucano. Dilma e Alckmin mantêm boa relação e iniciaram uma série de parcerias administrativas no início de seus mandatos, em 2011.

Afif ocupará a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de ministério - será a 39.º pasta do governo petista. Na quarta-feira, a coluna Direto da Fonte antecipou que Dilma usaria o evento para deixar claro que levará Afif para o governo.

Com a ida a Brasília, Afif acumulará o cargo de vice com o de ministro - ele avisou a interlocutores que não pretende renunciar ao posto em São Paulo. O vice consultou juristas sobre sua situação. De acordo com aliados, ouviu posições divergentes de constitucionalistas a respeito do acúmulo das funções.

Com a decisão de manter o cargo em São Paulo, Afif deve assumir o governo do Estado quando Alckmin estiver em viagens para o exterior, por exemplo. Aliados dizem que o vice poderá optar por viajar quando o tucano tiver de sair do País, fazendo com que a cadeira seja assumida temporariamente pelo terceiro na linha de sucessão, o presidente da Assembleia, Samuel Moreira (PSDB). Assim, evitaria a situação de ser ministro e governador ao mesmo tempo.

Demissão. No Palácio dos Bandeirantes, já era esperada a ida de Afif para a equipe de Dilma. A relação entre Alckmin e o vice ficou ruim quando o tucano o demitiu da Secretaria de Desenvolvimento Econômico em 2011. O governador decidiu retaliar Afif, que havia anunciado que acompanharia o então prefeito Gilberto Kassab no projeto de criar o PSD - os dois abandonaram o DEM. Alckmin se sentiu ameaçado com a criação do novo partido, plataforma para as pretensões eleitorais de Kassab, que passam pela sucessão estadual em 2014, quando o tucano tentará se reeleger governador.

Ontem, tucanos avaliavam se Alckmin deveria comparecer ao evento da segunda-feira. Mas concluíram que seria pior ele se ausentar e que, qualquer saia-justa, poderia ser resolvida com elogios públicos ao vice.

A ida de Afif para a equipe de Dilma é a materialização da aproximação do partido de Kassab com o PT. O ex-prefeito, porém, afirma que a indicação do aliado não significa que o PSD ingressará na base governista. Também diz que Afif vai para a Esplanada na cota pessoal de Dilma. Na prática, porém, Kassab já atua alinhado aos interesses do Planalto. O discurso do PSD de independência guarda relação com o fato de o partido mirar um ministério mais forte, como Cidades ou Transportes.

A assessoria de imprensa da Associação Comercial afirmou que o evento deve reunir cerca de 2 mil pessoas por se tratar da posse do novo presidente, Rogério Amato. Devem comparecer representantes das 420 associações comerciais do Estado. Por causa do tamanho da cerimônia, o ato não vai ser realizado na sede da associação, e sim num local maior. / COLABOROU ISADORA PERON

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