Presidente se diz tranquila com 'oscilações' de 2014

Ao comentar pela 1ª vez aliança Marina-Campos, Dilma afirma que qualquer candidatura tem legitimidade

RAFAEL MORAES MOURA , ENVIADO ESPECIAL / PORTO ALEGRE , O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h10

Um dia após se reunir com o ex-presidente Lula e auxiliares para discutir o cenário político de 2014, a presidente Dilma Rousseff deu ontem, em entrevista a rádios gaúchas, a primeira declaração pública sobre a aliança do governador Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva: "Eu respeito todas as pessoas que forem concorrer à Presidência da República porque eu acho que todas essas pessoas, elas, como cidadãos ou cidadãs brasileiras, têm absoluta legitimidade para pleitear isso".

Ainda que dirigentes do PT demonstrem preocupação com a dupla, Dilma afirmou que "ninguém tem que ficar preocupado com as oscilações conjunturais que são naturais num processo eleitoral". "Todos nós sabemos como é que vão e voltam... eu não posso (me preocupar)".

"Minha principal estratégia nos meus quatro anos é cuidar do governo. Eu tenho não só obrigação moral, (como) obrigação política, ética, obrigação com o meu povo. Se eu ficar pensando na próxima eleição, eu acordo de manhã pensando na próxima eleição, almoço pensando na próxima eleição, e janto pensando na próxima eleição. Eu não governo. Eu não tenho de pensar na próxima eleição", disse a presidente.

Após agendas de governo, Dilma voltou a falar com repórteres. Diante da insistência de um jornalista sobre a aliança Marina-Campos, Dilma disparou: "Você está com fixação, meu querido. Esse rapaz está precisando de um divã político."

Além das entrevistas, Dilma participou ontem de duas cerimônias em Novo Hamburgo (RS), onde inaugurou creches e prestigiou a formação de alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Hoje, ela anuncia investimentos do PAC Mobilidade Urbana para o metrô de Porto Alegre.

A presidente reiterou que vai "honrar as mulheres deste País" e que tem de se preocupar é com a situação da ativista ambiental gaúcha Ana Paula Maciel, que está presa na Rússia, acusada de pirataria. "Aguardamos uma resposta (das autoridades russas). Ela é uma cidadã brasileira e é minha obrigação (interceder)."

Protestos. Os dois locais dos eventos da presidente em Novo Hamburgo foram cenário de protestos. Enquanto Dilma discursava na inauguração de creches, um grupo do setor de calçados empunhava faixas contra os embargos argentinos às exportações brasileiras. "Moleza com argentinos é desemprego no Brasil", dizia uma delas. Segundo os manifestantes, cerca de 760 mil pares de calçados foram embargados pelas autoridades argentinas.

Antes de entregar os diplomas do Pronatec, o pavilhão do Centro de Convenções Fenac foi tomado por um grupo de agricultores que criticam a demarcação de terras indígenas no Estado do Rio Grande do Sul. A presidente conversou com o grupo antes do início do evento e prometeu que o governo manterá o diálogo.

Palanques. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem no Rio que nos Estados em que Dilma tiver o apoio de mais de um candidato a governador ela irá "a todos os palanques ou a nenhum". Ele destacou que os partidos que apoiarem a presidente na disputa terão a "simpatia" e o "apoio" de Dilma, mas só os candidatos petistas poderão utilizar legalmente imagens dela para pedir votos em 2014. / COLABOROU WILSON TOSTA

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