Presidente reedita em Campinas disputa com aliança PSB-PSDB

Como ocorreu em Belo Horizonte no 1º turno, Dilma participa de evento contra adversário apoiado por Campos

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h07

A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje em Campinas a fim de reeditar no 2.º turno confronto direto com o PSB ocorrido em Belo Horizonte. Na capital mineira, Marcio Lacerda, candidato do partido da base aliada apoiado pelos tucanos, venceu já no 1.º turno, apesar da presença da presidente no palanque do correligionário Patrus Ananias. Na cidade do interior, Dilma, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenta emplacar o petista Márcio Pochmann contra o adversário Jonas Donizette (PSB).

A campanha campineira já ganhou ares de disputa nacional. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, trabalham intensamente por Donizette. Ambos já estiveram no palanque do candidato, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

A presença de Dilma no palanque de Pochmann a uma semana das eleições, portanto, será a principal cartada do PT neste 2.º turno. Dilma ficou de fora da campanha em Campinas no 1.º turno justamente para evitar problemas com o PSB. Agora, a pedido de Lula, que indicou pessoalmente o nome de Pochmann - que é ex-presidente do Ipea - para a eleição, Dilma incluiu Campinas na agenda, depois do expressivo crescimento do PSB no dia 7. A cidade é a única cidade não capital em que ela participará de eventos nesse 2.º turno.

Nos últimos dois dias, a campanha de Pochmann turbinou o anúncio do comício com Dilma e Lula em seus programas e nas inserções diárias, para atrair o maior número de pessoas ao Largo do Rosário, no centro.

Dilma também gravou declaração de apoio a Pochmann para seus programas de segundo turno. Seguindo a mesma linha adotada nas declarações de Lula - usadas à exaustão na TV e no rádio -, a presidente afirma que já trabalhou com o candidato no governo federal e associa seu nome aos grupos que criaram programas que são marcas do PT: o Bolsa Família, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e o Bilhete Único.

"Márcio Pochmann trabalhou comigo e com o presidente Lula. Conheço de perto sua competência", afirma a presidente. "Márcio será o melhor prefeito da história de Campinas. Ele tem todo o meu apoio e peço que tenha o seu", pede a presidente.

Pochmann é professor da Unicamp, considerado quadro técnico do partido e nome politicamente desconhecido na cidade. Ele foi escolhido após o PT se ver envolvido num escândalo da gestão de Doutor Hélio (PDT).

A estratégia foi desvincular o candidato do PT do grupo político do ex-vice-prefeito petista Demétrio Villagra, que acabou preso e cassado por suposto envolvimento com o Caso Sanasa - um esquema de desvios de recursos da empresa de água da cidade denunciado pelo Ministério Público, que levou 11 pessoas para a cadeia, derrubou 2 prefeitos e terminou com 28 processados por formação de quadrilha.

Para isso, a campanha colou a imagem de Pochmann a Lula e Dilma. A presença constante de ministros no lançamento de programas de governo também serviu para cacifar sua imagem.

Resposta. Como resposta para tentar minimizar o apoio da presidente, o candidato do PSB colocou no ar ontem um programa eleitoral em que afirma que Dilma é a candidata de "todos os campineiros". "Democrata como ela sempre demonstrou ser, Dilma não vai dar as costas para Campinas", afirma o narrador. "Que coisa mais antiga ficar falando que só com ele o governo federal vai investir aqui. Esse tipo de apelação pode até ter funcionado no passado, na boca de Villagra e de outros do PT, mas hoje não funciona mais não", completa.

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