Presidente quer prestação de contas online de ministros

Planalto decide pôr fim aos fóruns temáticos e encarrega ministra-chefe da Casa Civil de cobrar metas do 1º escalão

VERA ROSA , TÂNIA MONTEIRO , CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h08

Na primeira reunião ministerial do ano, a presidente Dilma Rousseff anunciou o fim dos fóruns de gestão do governo e cobrou a adoção de um sistema eletrônico de monitoramento dos programas até junho.

Dilma admitiu ontem que os quatro fóruns temáticos (Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura, Desenvolvimento Social e Direitos e Cidadania), lançados com alarde no ano passado, não funcionaram. A presidente reforçou o papel da Casa Civil e disse aos auxiliares que, a partir de agora, a pasta comandada por Gleisi Hoffmann vai dirimir as divergências entre ministros.

Descontraída, Dilma pediu palmas para o ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), que deixa hoje a equipe para disputar a Prefeitura de São Paulo (leia texto abaixo).

Ao longo das quatro horas de reunião ministerial, Dilma deixou claro que a Casa Civil será recomposta como na época em que ela própria comandou a pasta (2005 a 2010) e cobrará metas da equipe. "Foi a experiência na Casa Civil que me preparou para a Presidência", disse.

Embora a tensão pré-reforma ministerial pairasse no ambiente, Dilma não tocou no assunto. Ao contrário: chegou a tratar a ministra da Cultura, Ana de Hollanda - que frequenta 9 entre 10 listas dos cotados para sair - pelo apelido de "Aninha".

Dilma garantiu que os programas sociais e de infraestrutura serão preservados ao máximo dos cortes do Orçamento, mas, mesmo assim, pediu cautela nos gastos. A presidente não definiu o tamanho do enxugamento de despesas, embora a equipe econômica defenda uma tesourada de até R$ 70 bilhões.

O Ministério da Educação e o INSS foram citados como exemplos de sistemas eletrônicos de gestão que deram certo, pois fazem o monitoramento dos programas em tempo real. Depois de enfrentar uma crise política atrás da outra e perder sete ministros, Dilma quer fazer uma reforma. Em conversas reservadas, ela admite que teve problemas de gestão. No seu diagnóstico, o monitoramento dos programas faz parte de um "projeto revolucionário e indispensável" para uma nova fase de governança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.