Presidente inicia mudança nos ministérios

Planalto confirma Mercadante no MEC; cientista Marco Antonio Raupp assume Ciência e Tecnologia

JOÃO DOMINGOS, RAFAEL MORAES MOURA, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h05

A presidente Dilma Rousseff deu início ontem à reforma ministerial ao confirmar a saída do ministro Fernando Haddad (Educação), que disputará a Prefeitura de São Paulo. Para o lugar dele vai Aloizio Mercadante, que deixa o Ministério de Ciência e Tecnologia. O cientista Marco Antonio Raupp substituirá o petista. A cerimônia de transmissão de cargos dos novos ministros será no dia 24, terça-feira.

Na segunda-feira deverá ser feita uma homenagem a Haddad, em comemoração às 1 milhão de vagas abertas pelo programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas nas universidades particulares a alunos carentes. O governo petista tem o ProUni na conta dos programas iniciados em sua administração que mais tiveram êxito. Será uma forte bandeira de campanha para Haddad.

Mercadante se disse "muito honrado com a escolha". "Expresso o contentamento de substituir o ministro Fernando Haddad, que, com seu empenho e sua dedicação à frente do MEC, realizou uma grande transformação na qualidade da educação no Brasil."

Ao passar o ministério na terça-feira, Haddad estará livre para circular por São Paulo na quarta-feira, quando é comemorado o aniversário da cidade. O nome de Haddad para a disputa pela Prefeitura foi imposto ao PT pelo ex-presidente Lula. Pesquisas eleitorais realizadas até agora mostraram Haddad com de 3% a 4% nas intenções de votos.

Raupp. A escolha de Raupp para a Ciência e Tecnologia foi bancada por Mercadante e pela presidente Dilma. Uma ala do PT paulista lutava pelo deputado Newton Lima. Argumentava que ele, além da política, sempre se dedicou à ciência. Tanto é que foi reitor da Universidade Federal de São Carlos.

Havia ainda, em favor de Lima, a justificativa de que, se ocupasse a pasta, abriria uma vaga para o ex-deputado José Genoino na Câmara. Mas Dilma, segundo um auxiliar, não quis o ônus de abrir uma vaga para Genoino no ano em que o Supremo Tribunal Federal deverá julgar o escândalo do mensalão. Genoino é um dos réus e poderia parecer que a presidente está tentando proteger um nome importante do PT.

Em nota distribuída ontem pela Secretaria de Comunicação Social, Dilma "agradece o empenho e a dedicação do ministro Haddad à frente de ações que estão transformando a educação brasileira e deseja a ele sucesso em seus projetos futuros". "Da mesma forma, ressalta o trabalho de Mercadante e Raupp nas atuais funções, com a convicção de que terão o mesmo desempenho em suas novas missões".

Na reforma é tida como certa a troca de Mário Negromonte (Cidades), de Iriny Lopes (Secretaria das Mulheres) e de Paulo Roberto Pinto (Trabalho). O nome mais forte para o Ministério das Cidades é o do presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, que já ocupou a pasta por cinco anos.

Fortes disse ontem ao Estado que não foi sondado para voltar ao ministério. "Eu estou muito bem na APO", afirmou. Questionado se gostaria de retornar a Brasília - já que a sede da APO é no Rio de Janeiro -, ele desconversou. "O Ministério das Cidades não é Brasília. Trabalha no Brasil inteiro", disse.

Dilma inicia hoje a série de reuniões setoriais, com grupos de ministros, com o objetivo de definir os projetos prioritários e onde serão cortadas despesas, como antecipou o Estado. O primeiro encontro, das 9 às 19 horas, será com os ministros da área social, que cuidam do programa Brasil sem Miséria.

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