Presidente faz defesa de aliança com Sarney

Dilma também avaliza união com Collor e diz que não pode ‘cassar direitos políticos’

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2014 | 01h01

 A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) defendeu nesta sexta-feira as alianças com os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL). Segundo Dilma, não é papel de um presidente da República cassar e tirar direitos políticos das pessoas.

Durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, a petista também garantiu não temer “de nenhuma forma” a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, com quem alegou haver falta de “afinidade”, motivo que teria provocado a sua demissão da empresa.

“Acho extremamente enviesada essa pergunta”, rebateu Dilma, ao ser questionada se sentia orgulho de ter como aliados Sarney, Collor e o deputado Paulo Maluf (PP-SP). “As pessoas podem fazer alianças e cada um manter a sua posição.”

Para Dilma, não é possível querer que o presidente da República “casse, tire direitos políticos, afaste pessoas”.

A candidata do PSB, Marina Silva, tem criticado Dilma pelas suas alianças e chegou a dizer que “se vencer as eleições, ela terá de agradecer a Sarney, Renan e Collor”.

A principal defesa de Dilma foi em relação ao ex-presidente José Sarney. “Respeito bastante o ex-presidente Sarney, acho que deu uma contribuição para o País”, afirmou a petista.

Em relação aos demais, Dilma preferiu ser mais comedida: “A Justiça inocentou o Collor, não sou uma instância de condenação do Collor. O Collor não é uma pessoa absolutamente próxima do governo, o Collor tem a sua posição em Alagoas e respeito a posição dele”.

A presidente procurou manter distância ainda maior de Maluf. “Não tenho nenhuma grande proximidade com o deputado Maluf. Enquanto ele estiver no exercício da sua atividade, ele está no exercício da atividade dele”, desconversou.

Delação. Sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, Dilma assegurou não temer “de nenhuma forma” as revelações que poderão ser feitas pelo ex-diretor da Petrobrás.

Na delação premiada, Costa - preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal -, acusou políticos do PT, PMDB e PSB de participação em esquemas de desvio de dinheiro da empresa.

As denúncias causaram preocupação no Palácio do Planalto e na coordenação da campanha de Dilma porque o escândalo pode ressuscitar a memória do mensalão, que atingiu o PT e o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme revelou a revista Veja, um dos nomes citados no depoimento é o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A lista inclui ainda o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conforme antecipado na semana passada pelo portal estadao.com.br.

“Eu não temo de nenhuma forma esse tipo de revelação. Sabe por quê? Eu tenho absoluta certeza que isso não afeta nem a mim, nem a pessoas que eu tenho elevada consideração e grande apreço”, assegurou Dilma. “Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele teria sido demitido e investigado. Não deixei ele lá. Eu tirei com 1 ano e 4 meses. Primeiro, eu não sabia o que ele estava fazendo. Ele não era uma pessoa da minha confiança. Não é nem confiança. Ele não tinha afinidade”, disse a presidente.

Autocrítica. Em um dos poucos momentos de autocrítica à sua gestão, Dilma reconheceu que não está satisfeita com “alguns” programas do governo federal. De acordo com a petista, o exercício diário da Presidência da República é “tentativa e erro” e o cargo exige “coluna vertebral” para resistir a pressões.

“Acho que quem fica muito satisfeito com o que fez tá mal. Eu acho que sempre posso fazer mais em todas as áreas, sempre era possível fazer mais”, afirmou a candidata do PT.

“Em alguns programas não estou satisfeita. Por exemplo, na área da saúde, eu acho que o Brasil tem uma grande deficiência na área de especialidades (médicas).” 

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