Presidente exige 'postura republicana' de novo ministro

Aguinaldo assume pasta das Cidades e ouve recado de Dilma após ele e o antecessor terem beneficiado parentes

TÂNIA MONTEIRO , RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h01

Na despedida de seu 7.º ministro afastado por suspeitas de malfeitos, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o discurso de posse do novo titular das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, para exigir dele uma "postura rigorosamente republicana" à frente da pasta.

O novo ministro virou alvo de acusações antes mesmo de assumir o cargo: já destinou emendas para Campina Grande (PB), município em que a irmã é pré-candidata a prefeito; pediu prioridade em repasses para a Prefeitura de Pilar (PB), governada pela mãe; e empregou no gabinete da Câmara pelo menos dois primos, como revelou o Estado.

A presidente Dilma lembrou que a pasta é uma das mais "federativas" de todas e ensinou que, para administrá-la, é preciso que seu titular trabalhe em parceria com todos os segmentos do Estado. "Sem respeitar a federação não é possível executar os programas do Ministério das Cidades porque a atividade exige parceria e isso impõe ao seu titular capacidade de negociação, bom trânsito político e postura rigorosamente republicana", disse Dilma acrescentando que "tem toda certeza" de que ele, Aguinaldo, está à altura deste desafio.

O recado de Dilma revelou a censura da presidente a Mário Negromonte, que pediu em 2011 para o Ministério do Turismo repassar recursos à Prefeitura de Glória, na Bahia, comandada por sua mulher. Outro ministro em fritura, Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, também foi acusado de beneficiar sua terra natal, Pernambuco, com verbas antienchentes, como mostrou o Estado em janeiro.

Negromonte foi varrido da Esplanada após uma sucessão de denúncias envolvendo a sua gestão, como a fraude para respaldar um acordo político que mudou projeto de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014. Ele acabou rifado pelo próprio partido, o PP. Em um rápido discurso, de cinco minutos, o ex-ministro disse que não houve nenhuma irregularidade em sua gestão. "Saio como entrei, sem nenhum processo e de cabeça erguida."

Dilma afirmou ainda que o Ministério das Cidades é uma pasta estratégica. "Estamos decididos em investir em infraestrutura e em melhoria da distribuição de renda e da qualidade de vida em nosso país. Estará sobre sua gestão o Minha Casa, Minha Vida, o maior e mais importante programa de construção de moradias na historia recente do país."

Espancamento. Em seu discurso, Aguinaldo Ribeiro disse estar pronto para o "espancamento" de projetos assim que assumir a pasta. Também admitiu que se vive hoje um clima de ceticismo em relação aos políticos. "Entendo que serei cobrado e darei resposta à obstinação de uma presidente. Já estou me preparando para enfrentar o espancamento de projetos", disse Ribeiro.

O "espancamento" já havia sido comentado pelo ministro Aloizio Mercadante, que aconselhou o novo ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, a se acostumar com a cobrança de Dilma.

Ele comentou ainda que há um"falso dilema" entre política e gestão. "A boa gestão na vida pública tem que ser política. Política no sentido mais amplo. Mas a boa política nos dias de hoje tem que estar baseada na gestão, na política de resultados, no alcance de metas, na eficiência, na busca permanente de avanços."

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