Presidente do TSE condena 'incontinência verbal' em debates

Segundo Carlos Ayres Britto, os debates no 2º turno devem servir para que os candidatos exponham suas idéias

Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2008 | 19h08

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral  (TSE), Carlos Ayres Britto, condenou a "incontinência verbal" nos debates durante o segundo turno da eleição. "O excesso de linguagem é condenável. É um desrespeito ao opositor, ao próprio ouvinte e ao telespectador."   Veja também: Debate em SP: 'Sou solteiro e feliz', diz Kassab; Marta lamenta inserção na TV Debate carioca: Paes se defende do apoio de Lula Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Ibope: Veja números das últimas pesquisas   Geografia do voto: veja o desempenho dos partidos  Confira quem venceu as eleições nas capitais do País  Tire suas dúvidas sobre as eleições municipais    Segundo Ayres Britto, os debates devem servir para que os candidatos exponham suas idéias, falem sobre suas biografias e sobre seus planos de governo e as políticas públicas que pretendem adotar. "Fora disso é excesso e merece reprovação", disse. O presidente do TSE afirmou que eventuais excessos podem ser comunicados à Justiça Eleitoral, a quem caberá resolver os casos.   No debate realizado no domingo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) trocaram acusações e falaram pouco sobre as propostas para um eventual governo. No Rio de Janeiro, o clima não foi muito diferente. Os candidatos Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB) provocaram um ao outro.   Apesar dos excessos nos debates, Ayres Britto disse que a eleição do próximo domingo deverá ser muito tranqüila e que o resultado poderá ser conhecido por volta das 20 horas. Ele acredita que os eleitores estão mais interessados no segundo turno.     "Há um interesse maior pelo segundo turno das eleições. Pelo menos estamos sentindo isso. Os principais colégios eleitorais do País vão para o segundo turno, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador. Veja que os locais de maior densidade eleitoral estão para se definir agora com relação à escolha de prefeitos e vice-prefeitos", comentou o presidente do TSE.   Faltosos   Os eleitores que faltaram na eleição no primeiro turno, no último dia 5, poderão votar no segundo turno, que ocorrerá no próximo domingo. A Justiça Eleitoral considera que os turnos são independentes e a falta no primeiro não compromete a votação no segundo.   Para votar, os eleitores devem ir ao local de votação e apresentar título ou um documento de identificação com foto. Apesar de poder votar no domingo, quem não compareceu no primeiro turno tem de justificar a ausência. Conforme a legislação eleitoral, o prazo para a justificativa é de 60 dias.   Quem não votar nem justificar a ausência no prazo, tem de pagar uma multa, que será determinada pela Justiça Eleitoral. Se o eleitor não votar, não justificar e não pagar a multa, poderá ser impedido de participar de concurso público e licitação, tirar passaporte e carteira de identidade e conseguir empréstimos em estabelecimentos mantidos pelo governo.   Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 27.166.643 eleitores de 30 municípios estão aptos a votar no próximo domingo. O TSE informou que no segundo turno serão usadas 77 mil urnas eletrônicas. Além dos 30 municípios com mais de 200 mil eleitores onde a eleição não foi definida no primeiro turno, vai ter votação no próximo domingo na cidade de Benedito Leite, no Maranhão. A votação do primeiro turno naquele município foi anulada depois que urnas eletrônicas foram queimadas.   Nesta segunda-feira, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, reuniu-se com os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de 15 Estados onde ocorrerá o segundo turno. Ele afirmou esperar que o segundo turno seja tão tranqüilo quanto o primeiro.   Durante o encontro, Ayres Britto fez um balanço sobre o primeiro turno e informou que foram registradas 4.787 irregularidades. As principais ocorrências foram boca de urna, transporte ilegal de eleitores e propaganda irregular. Ao todo, foram presos 214 candidatos e 1.624 eleitores.  

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