Presidente do TJ paulista admite plano de reeleição

Ivan Sartori, que negava cogitar novo mandato, agora diz querer ficar no cargo para desenvolver 'projetos iniciados'; regras precisam ser alteradas

Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h03

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, admitiu ontem, pela primeira vez, que é candidato à reeleição. Ao ser questionado pela reportagem do Estado sobre o apoio que vem recebendo dos servidores do Judiciário, e indagado se essa situação o estimula a buscar a recondução ao posto de mandatário da corte estadual, ele disse, por meio de sua assessoria de imprensa: “A reeleição, por mais um mandato, faz parte do projeto da Presidência para o desenvolvimento dos muitos projetos já iniciados.”

O desembargador fez uma ressalva, também por meio de assessores de imprensa do tribunal: “A reeleição, entretanto, dependerá de decisão do Órgão Especial do TJ-SP e o presidente Sartori acatará o decidido.”

O Órgão Especial aloja a cúpula da instituição, formado pelos 12 desembargadores mais antigos, 12 eleitos e o próprio presidente. Qualquer alteração no modelo eleitoral da corte deve passar pelo crivo do colegiado. Magistrados que repudiam a reeleição alertam que a Lei Orgânica da toga veta novo mandato para cargos diretivos.

Sartori ocupa a presidência desde janeiro de 2012. Seu mandato termina em dezembro, quando haverá nova eleição.

Nos últimos dias, Sartori vem propagandeando, no site do Tribunal, o apoio dos servidores à sua gestão. Na última segunda-feira, numeroso grupo de funcionários foi ao Palácio da Justiça, no centro paulistano, para declarar apoio ao presidente e entregar um inédito abaixo assinado com 40 mil adesões.

Os servidores, que são 50 mil em todo o Estado, não votam - só têm a prerrogativa os desembargadores, que são 355. Os funcionários, porém, se dizem satisfeitos com a administração Sartori. No site do TJ foi divulgado o momento festivo na corte de Sartori. A notícia publicada anteontem tem um link para uma placa que o presidente da corte recebeu dos servidores. Nela, os servidores chamam Sartori de “homem visionário” e declaram que seus “corações estão cheios” de gratidão.

“Mesmo diante desse cenário que carece de muitas mudanças, onde um mandato - apenas 2 anos - representa pouquíssimo tempo para tantas realizações, hoje vivemos renovados por uma esperança que não existia pois temos visto projetos e iniciativas inéditos no Tribunal de Justiça, levando-nos a pensar que uma semente está sendo plantada, na forma de um novo modelo de gestão pública”, escreveram os funcionários.

Por e-mail, a assessoria do Tribunal afirmou que o presidente atribui tal gesto à “gestão de pessoal implementada, com valorização do servidor”. Cita como exemplo a criação de um centro que oferece cursos e material técnico para o desenvolvimento de seu trabalho.

O TJ sustenta que as notícias sobre o apoio foram veiculadas em seu site por motivos de “transparência”. “Todas as audiências e atos da Presidência são noticiados diariamente”.

Sobre o evento com os servidores, o TJ disse que “em razão do grande número de pessoas presentes, não pode ser realizado na Presidência”. “O presidente recebe, no próprio Palácio da Justiça, todos que o procuram. Nada mais regular do que utilizar o Palácio da Justiça para receber as pessoas - não o faria na Praça da Sé”.

 

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