Presidente do PT questiona procurador-geral

Rui Falcão diz que Gurgel usa dois pesos e duas medidas ao tratar as declarações de José Dirceu e Marcos Valério

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2013 | 02h07

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, questionou ontem a afirmação de Roberto Gurgel segundo a qual José Dirceu não merece crédito. A declaração do procurador-geral da República foi uma reação a uma entrevista do ex-ministro da Casa Civil na qual ele afirmou que Luiz Fux prometera absolvê-lo no julgamento do mensalão quando estava em campanha por uma vaga no Supremo. "Acho curioso que o próprio procurador que diz que o ex-deputado José Dirceu não merece crédito porque é réu, dá crédito a uma pessoa que também é réu, com uma condenação maior até o momento, do que a de Dirceu", disse Falcão, numa referência ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que, após ser condenado a mais de 40 anos de prisão no julgamento do mensalão, acusou o ex-presidente Luiz Inácio da Silva de ter se beneficiado do esquema. Gurgel tem defendido que as denúncias de Valério precisam ser aprofundadas.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Dirceu afirmou que foi "assediado moralmente" durante seis meses por Fux na empreitada do magistrado para obter sua cadeira no STF - Fux acabou indicado pela presidente Dilma Rousseff ao posto e, no julgamento, votou na maioria das vezes contra os réus. Após a declaração de Dirceu, Gurgel defendeu a "honradez" de Fux e afirmou que a acusação do ex-ministro do governo Lula tinha o objetivo de questionar o julgamento do mensalão.

Falcão não se pronunciou ontem sobre o fato de a Polícia Federal ter instaurado na quinta-feira inquérito para investigar se Lula teve participação no mensalão, a partir do depoimento de Valério prestado no dia 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República.

"Eu volto a repetir que essa é mais uma das invencionices que se cria tentando atingir o ex-presidente Lula, cujo único crime cometido foi o de melhorar a vida de milhões de brasileiros", afirmou o presidente do PT.

Estadual. O presidente do PT no Estado São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, também reagiu ontem à iniciativa da PF de investigar Lula. Ele classificou o inquérito como "ridículo". "Isso é ridículo. São questões que cabem à Polícia Federal porque ela foi instigada a isso, mas é uma agenda superada, que já foi resolvida do ponto de vista do Judiciário", disse Edinho, ao deixar o Instituto Lula, em São Paulo, após encontro com o ex-presidente e outros líderes do PT.

Para Edinho, as investigações da PF não causam temor ao PT nem ao próprio Lula. "Todos nós sabemos da integridade, do que ele (Lula) representa para o Brasil e para o mundo. Se a PF foi instigada a abrir inquérito, ela está no papel dela", disse. "Nós temos muita tranquilidade, até porque esta agenda está superada", reafirmou ele. / ISADORA PERON e GUSTAVO PORTO

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