Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente do PSD, Kassab defende que 'centro' deveria apoiar Alckmin em 2018

Ainda que não tenha anunciado oficialmente apoio do seu partido aos tucanos, a tendência é que as duas legendas estejam juntas na campanha presidencial

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2018 | 02h00

BRASÍLIA - O presidente licenciado do PSD, Gilberto Kassab, defendeu na madrugada desta quinta-feira, 18, que os partidos de centro deveriam estar unificados em torno da pré-candidatura do PSDB à Presidência, encabeçada por Geraldo Alckmin. Ainda que não tenha anunciado oficialmente apoio do seu partido aos tucanos, a tendência é que as duas legendas estejam juntas na campanha presidencial.

"Eu gostaria que todos (do centro) estivessem com o mesmo candidato e minha impressão, meu sentimento, assim como majoritariamente no partido, é que esse candidato é o Alckmin", defendeu. "Se existe um candidato que todos acham que está mais bem preparado por que não somar com ele?", questionou Kassab, que ocupa o cargo de ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações no governo Michel Temer.

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A defesa de Kassab foi feita após jantar entre Alckmin e a bancada nordestina do PSD na Câmara, em Brasília. A reunião começou por volta das 21h30 de quarta-feira, 18, e só terminou após três horas e meia, no início da madrugada desta quinta e aconteceu na casa do deputado Fábio Faria (PSD-RN).

O encontro faz parte de uma série de reuniões regionais que Kassab está promovendo entre o presidenciável do PSDB e parlamentares do PSD, sigla que comanda embora esteja licenciado da presidência. Até agora, já houve jantares com deputados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

Kassab contou que a maioria do partido já apoia estar com Alckmin em 2018, mas justificou que a rodada de conversas é necessária para que a consolidação da aliança possa ser feita de "maneira respeitosa" e "madura". "O sentimento majoritário no partido hoje é para apoiá-lo (Alckmin) e fazemos isso de uma maneira respeitosa, ouvindo todos. Tem cinco meses e meio para a eleição e você faz isso para que seja uma decisão madura e possa unir a todos", explicou.

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A região Nordeste é onde o tucano tem pior desempenho nas pesquisas eleitorais. Por isso, no jantar, Alckmin ouviu uma espécie de radiografia de cada um dos deputados da bancada sobre a situação em seus respectivos estados. Os parlamentares também deram sugestões ao ex-governador de São Paulo sobre como o PSDB pode melhorar seu desempenho na região. Alckmin ouviu os conselhos e anotou algumas das ponderações, segundo interlocutores. 

Kassab também deu seu pitaco sobre qual caminho Alckmin deve seguir para conquistar os nordestinos. "O principal é que o candidato tenha um discurso para o Nordeste e seja um discurso sincero, não demagógico. O Brasileiro, o eleitor de qualquer que seja a região, amadureceu muito e sabe entender melhor para onde direcionar o seu voto", argumentou.

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Um dos principais relatos ouvidos por Alckmin foi sobre o peso do ex-presidente Lula junto ao eleitorado nordestino. O ex-governador de São Paulo chegou a ouvir dos deputados que o PSDB precisa quebrar a pecha, na região, de que é o partido dos ricos, enquanto o PT seria o partido dos pobres. Alckmin também recebeu pedidos para que continue estimulando a candidatura do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao governo do Estado do Ceará, algo que ele mesmo já tem feito há algumas semanas.

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Apesar de não ter sido divulgado oficialmente, Kassab já praticamente fechou acordo com o tucano para que o PSD apoie sua candidatura presidencial. A aliança envolveu coligação em São Paulo, onde o PSD indicará a vice do ex-prefeito João Doria, candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes.

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