Presidente do PSB viaja a São Paulo para 'convencer' sigla a apoiar Haddad

Governador de PE, Eduardo Campos, desembarca na capital semana que vem com a missão de levar diretórios paulistas a aliança com PT

Ângela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h05

RECIFE - Depois de a presidente Dilma Rousseff definir a eleição de São Paulo como "uma questão municipal", sem comentar a entrada do tucano José Serra na disputa, o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos, desembarca em São Paulo na segunda-feira empenhado em levar o seu partido a apoiar o candidato petista Fernando Haddad.

Campos fará palestra, na Associação Comercial de São Paulo, sobre o modelo de gestão de seu governo - e, na agenda política, ouvirá os diretórios municipal e estadual do PSB sobre a situação local - o partido integra o governo tucano de Geraldo Alckmin. Tentará convencer as lideranças de que o melhor caminho é uma aliança com o PT.

Ele avisa, no entanto, que não pretende usar uma prerrogativa do partido - cujo estatuto dá à direção nacional o poder de decidir alianças em municípios com mais de 200 mil eleitores - para interferir em São Paulo. "Não é tradição do PSB fazer nenhuma intervenção, nunca houve isso na nossa história", afirmou ele ao Estado, ao lembrar que uma eventual divergência do PSB paulista com o nacional não vai interferir na unidade da legenda.

"Acredito que a direção municipal e a direção estadual do PSB de São Paulo vão conduzir esse processo com tranquilidade", observou. "Sair das minhas funções de presidente nacional do partido para discutir cada eleição de capital e de municípios com mais de 200 mil eleitores não seria uma tarefa possível."

Jantar. Na noite de segunda-feira, 27, o governador recebeu a presidente Dilma Rousseff para jantar em sua casa, no bairro de Dois Irmãos, no Recife. No encontro, ele conseguiu ampliar os recursos federais para um projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe, que corta a capital. Segundo sua assessoria, "99%" do que se tratou no jantar teria sido referente a questões administrativas. "Ainda não é hora, vamos deixar mais para a frente", teria dito a presidente sobre assuntos político-eleitorais.

Nessa terça-feira, 28, em evento que marcou a entrega de 480 unidades habitacionais a famílias removidas de palafitas no bairro de Brasília Teimosa, a presidente fez política. Elogiou o governo Campos, criticou a política do "se vire" que, segundo ela, presidentes anteriores a Lula usaram com o povo menos favorecido e interagiu diretamente com a multidão que a aclamava.

Dilma recebeu reivindicações e presentes - entre eles, uma máscara de carnaval - e resolveu ela mesma um empurra-empurra iniciado na platéia porque um fio exposto estava dando choque nas pessoas. Ela conduziu rapidamente a situação e foi mais vez ovacionada. De quebra, deu força ao prefeito petista João da Costa, que vem penando para conseguir unir o PT e os partidos que integram a Frente Popular em torno da sua reeleição.

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