Presidente do PMDB do Rio defende neutralidade no segundo turno

Boca de urna coloca Marcelo Crivella, do PRB, e Marcelo Freixo, do PSOL, no segundo turno

Luciana Nunes Leal, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 18h37

Diante da pesquisa de boca de urna do Ibope que apontou disputa em segundo turno pela prefeitura do Rio entre os candidatos Marcelo Crivella, do PRB, e Marcelo Freixo, do PSOL, o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, disse que defenderá neutralidade do partido na segunda etapa da disputa. A decisão oficial, no entanto, será discutida no diretório regional ao longo da semana. O PMDB do prefeito Eduardo Paes é o grande derrotado da eleição no Rio, com o candidato do partido, Pedro Paulo, terceiro colocado no Ibope, fora da disputa.

O Ibope apontou no fim da tarde deste domingo 30% de votos válidos para Crivella e 20% para Freixo. Pedro Paulo teve 15%, seguido por Flávio Bolsonaro (PSC), com 12%, Indio da Costa (PSD), com 9%, Carlos Roberto Osório (PSDB), com 7%. A candidata do PC do B, Jandira Feghali, teve 4%. Carmen Migueles, do Novo, foi citada por 2% e Alessandro Molon, da Rede, por 1%.

“”Vamos reunir a direção do partido e os vereadores eleitos para tomar uma decisão. Pessoalmente, vou defender que o PMDB não participe de apoio a nenhum candidato, pelas diferenças naturais que temos com eles. Se tivesse alguém do nosso campo no segundo turno, seria diferente. Depois da eleição, defendo a união dos partidos da nossa coligação para examinarmos o apoio institucional ao eleito, desde que assuma compromissos como a educação em tempo integral, transporte e saúde de qualidade. Se isso não ocorrer, vamos para a oposição”, disse Picciani. “Não defendo o voto nulo, cada um deve votar como quiser”, completou.

Durante a campanha, o PMDB atacou Crivella, lembrando o vínculo do candidato com a Igreja Univeral do Reino de Deus e a aliança com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), e Freixo, apontado como candidato “do radicalismo e do atraso”.

Picciani elogiou Pedro Paulo e disse que a decisão de Paes de manter a candidatura do deputado, mesmo depois que veio a público a denúncia de agressão feita pela ex-mulher  do candidato, teve aval do partido. Para Picciani, no entanto, a prática comum nos partidos de prefeitos e governadores terem a palavra final sobre os candidatos a sua sucessão deve mudar. “Essa lógica vai mudar. A decisão sobre candidaturas não pode ser apenas do mandatário. Não se podem fabricar candidatos. Não falo apenas do PMDB, mas de todos os partidos”, disse Picciani.

O presidente fez questão de elogiar o candidato derrotado. “O eleitorado é soberano, o eleitor decide, a gente aceita é deseja boa sorte aos escolhidos. E segue a vida. Pedro Paulo foi um candidato muito aplicado e eu o parabenizo pelo esforço pessoal. Com apoio de todos nós, Eduardo escolheu um candidato muito preparado para governar, mas havia um risco e optarmos por correr esse risco. Somos corresponsáveis pelo resultado”, disse o dirigente. A denúncia de agressão feita pela ex-mulher de Pedro Paulo, Alexandra Marcondes, em 2010, tornou-se pública em outubro do ano passado. Apesar do enorme desgaste causado na imagem de Pedro Paulo, Paes insistiu na candidatura do deputado. Segundo Picciani, Eduardo Paes é o candidato do PMDB para a disputa pelo governo do Estado em 2018. “O resultado desta eleição não é um julgamento do governo de Eduardo. Ele é nosso candidato a governador e foi o melhor prefeito que o Rio de Janeiro já teve”, elogiou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.