Presidente do BNB deixa cargo em meio a investigação

Segundo Polícia Federal, dinheiro de operações de crédito pode ter sido usado como caixa 2 de campanha eleitoral do PT cearense

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h11

O economista Jurandir Vieira Santiago foi exonerado ontem da presidência do Banco do Nordeste do Brasil. Indicado pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), ele estava no cargo há um ano. Ele deixa o comando do BNB em meio às investigações sobre um rombo de R$ 100 milhões em créditos que, de acordo com investigação da Polícia Federal, podem ter sido usados num esquema de caixa 2 de campanhas eleitorais de petistas do Estado.

Segundo a PF, o dinheiro pode ter sido repassado a empresas fantasmas ligadas a integrantes do partido e, depois, usado em campanhas . Há suspeita de ligação das empresas com o ex-chefe de gabinete de Santiago, Robério Geress, que já se afastou do cargo. Boa parte dessas empresas era de locadoras de veículos.

O PT cearense nega que tenha recebido o dinheiro dos créditos.

O rombo foi constatado em auditorias do próprio BNB e da Controladoria-Geral da União. As apurações resultaram em inquérito.

Santiago não deu entrevistas ontem. Em nota divulgada no início do mês, enquanto ainda ocupava o cargo, o economista afirmou que "todas as providências" para elucidar "as supostas operações de crédito irregulares no Banco do Nordeste do Brasil" foram tomadas pela instituição.

A nota ressaltou que as operações, ocorridas entre o fim de 2009 e o início de 2011, foram realizadas quando ele ainda não estava no comando do banco. De acordo com o texto divulgado, o BNB instaurou em julho do ano passado o primeiro de quatro procedimentos de sindicância que se encontram em andamento.

"O banco passou, espontaneamente, a interagir com os órgãos de controle externo - Controladoria-Geral da União, Ministério Público e Polícia Federal - a fim de que o assunto recebesse os encaminhamentos e apurações devidos, para além daqueles levados a curso no âmbito do próprio Banco do Nordeste", afirmou o então presidente na nota oficial divulgada em 8 de junho.

O agora ex-presidente é alvo de acusações em outro caso. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual sob acusação de participar de um suposto esquema de desvio de recursos que inicialmente teriam de ser usados na construção de kits sanitários em cidades cearenses.

Na época em que o caso veio à tona, entre 2009 e 2010, Santiago era secretário adjunto de Cidades do governo Cid Gomes e respondia pela pasta na ausência do então titular, Camilo Santana.

Sobre o caso dos kits sanitários, Santiago informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar. Ele é acusado de receber parte do dinheiro destinado à construção do banheiros na cidade de Ipu, no norte do Estado.

Segundo o Ministério Público, o esquema destinou parte do dinheiro dos kits (R$ 100 mil) para uma conta corrente do posto de combustível Boa Vista, em Fortaleza, do qual Santiago era sócio. Ele deixou a sociedade três dias depois de o dinheiro entrar na conta, em 1.º de junho de 2009.

Comando atual. O diretor administrativo e de Tecnologia da Informação, Stélio Gama Lira Júnior, está comandando interinamente o banco. Ele ficará na função até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicar o novo presidente. Há a possibilidade mudança de toda a atual diretoria.

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