Divulgação
Divulgação

Presidente deve ficar ‘atento’ às ruas, afirma ACM Neto

‘Não se faz governo em gabinete. É precisoaproximar Brasília da realidade’, diz prefeito reeleito de Salvador

Entrevista com

ACM Neto (DEM), prefeito reeleito em Salvador

Leonencio Nossa, enviado especial a Salvador, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 05h00

O prefeito reeleito de Salvador, ACM Neto (DEM), de 37 anos, afirmou em entrevista ao Estado que o presidente Michel Temer precisa enfrentar um ajuste fiscal rígido, evitar “balões de ensaio” no debate das reformas e olhar para as ruas. “Não se constrói e não se faz governo em gabinete. É preciso aproximar Brasília da realidade do País”, disse.

O senhor foi criticado por trazer uma equipe técnica que aplica o ajuste fiscal. Essa receita vale para o governo Temer?

Ele não tem outro caminho. Não adianta pensar em educação, saúde, projetos sociais e investimentos em infraestrutura, se as contas estiverem desajustadas. Para ter um leque de realizações de governo, é fundamental o equilíbrio das contas. Ele tem que fazer. Se eu sentasse na cadeira e, no dia seguinte, já enxergasse quatro anos pela frente, não teria tomado medidas duras, que, no entanto, eram necessárias para não inviabilizar o meu governo. Enfrentei uma guerra, que foi parar na Justiça. Depois, as pessoas entenderam.

O que acha das reformas trabalhista e previdenciária?

O que vimos foram balões de ensaio lançados pelo governo, que eu acho ruim, isso gera uma contrainformação que só traz desgaste. Foi um erro. Ele só poderia ter colocado o tema em pauta quando estivesse amadurecido dentro do governo, o que não aconteceu ainda.

O governo tem força para enfrentar o funcionalismo público?

Eu consegui tocar a cidade sem entrar em confronto com funcionalismo. Não suprimi direitos. Aprovei um plano de cargos e salários que estava na gaveta há anos. Mas este ano não dei reajuste. Quando uma parcela pequena parou, eu descontei o salário, porque argumentei que não tinha como dar reajuste. Primeiro tem que dialogar com a corporação, mas quando é preciso dizer não, tem que dizer não.

Os partidos do campo em que o senhor atua deveriam estar mais abertos a questões como a política de cotas?

Sempre defendi as cotas. O que vem determinando a minha forma de atuar na vida pública é a minha experiência na rua. Eu vivo uma cidade extremamente pobre e desigual. Busco fazer políticas reparatórias. Não dá para fechar os olhos para a vida real do País. Como vivo de fato uma cidade com essa característica, eu tenho a compreensão desse lado. Eu acho que o governo federal tem que estar atento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.