Presidente defende viagens de Lula ao exterior

Dilma diz que antecessor deu 'grande contribuição' ao Brasil na atuação em países da África e da América Latina

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h07

O governo federal saiu ontem em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve parte de suas viagens ao exterior desde 2011, quando deixou o Palácio do Planalto, financiadas por empreiteiras brasileiras.

A presidente Dilma Rousseff divulgou nota sobre reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso a telegramas indicando o custeio das viagens de Lula por empreiteiras como Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht e uma possível atuação do ex-presidente em prol dessas empresas em países africanos e latino-americanos.

"Eu me recuso a entrar nesse tipo de ilação sobre o presidente Lula. O presidente Lula tem o respeito de todos os Chefes de Estado da África e deu grande contribuição ao País nessa área", afirmou Dilma.

Segundo a reportagem, as empreiteiras bancaram a ida de Lula a 13 dos 30 países que o ex-presidente visitou desde 2011. O Instituto Lula confirmou que empresas financiaram viagens e palestras, mas não divulgou os valores pagos. As empreiteiras negam que Lula tenha defendido seus interesses nos países visitados pelo ex-presidente.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse no Rio não ver problema nas viagens ao exterior de Lula pagas por empreiteiras. O ministro lembrou que o ex-presidente sempre trabalhou pela integração da América Latina e da África.

"Lula não roubou e não tem dinheiro próprio. Nenhum homem público honesto sai do governo acumulando dinheiro. Quem sai acumulando dinheiro é porque teve algum comportamento inadequado", afirmou o ministro. "Ele não teria condição de pagar. O que é melhor: ele ficar parado em casa? É isso que eles querem?", indagou.

Carvalho disse que o ex-presidente não intermediou interesses empresariais com governos "de jeito nenhum". "Lula tem a perfeita compreensão de que o papel dele era, em um primeiro momento, dar muita força para as empresas brasileiras avançarem na América Latina e na África. Enquanto presidente ele nunca usou, nem deveria usar, nenhum meio das empresas para fazer esse papel", disse o ministro, ao participar no Rio de reunião do Conselho do Sesc, do qual faz parte. "As empresas entenderam que para elas é importante esse trabalho do presidente Lula e resolveram custear essas viagens. Nós entendemos que isso faz bem para o Brasil, faz bem para a economia, e para a integração social da América Latina e da África."

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