Presidente continua a ter maioria no Senado

Presidente continua a ter maioria no Senado

Aliados de Dilma ocupam 53 das 81 cadeiras da Casa o que garante, pelo menos no papel, base de apoio para aprovação de PECs e outras medidas

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 17h50

Brasília - Ao menos no papel, a presidente Dilma Rousseff (PT) continuará a ter maioria para aprovar reformas constitucionais no Senado nos próximos quatro anos. Aliados de Dilma vão ocupar 53 das 81 cadeiras do Senado (65% da Casa). No discurso após ter sido reeleita, a presidente defendeu a aprovação de uma reforma política a partir de 2015. Caso haja necessidade de emendar a Constituição, são necessários os votos de pelo menos 49 senadores (60% da Casa).

No atual mandato, o Congresso aprovou 15 emendas constitucionais. Dilma, entretanto, só enviou duas propostas de emenda à Constituição (PECs), ainda no início do governo, em 2011. A primeira, que prorrogava a DRU (Desvinculação das Receitas da União) até dezembro de 2015, foi aprovada no mesmo ano. Esse mecanismo permite ao Poder Executivo remanejar livremente 20% do que arrecada. A outra emenda constitucional, que estendeu os benefícios tributários da Zona Franca de Manaus até 2073, foi promulgada pelo Congresso em agosto deste ano.


Neste domingo, somente um dos oito senadores que estavam presentes em disputas de vagas no segundo turno venceu seu pleito: o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, eleito governador do Distrito Federal. Todos os demais foram derrotados, como os senadores tucanos Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes Ferreira (SP), colegas de chapa que ficaram em segundo lugar na eleição presidencial. Os perdedores, entretanto, terão mais quatro anos de mandato no Senado.

Com o resultado, o PMDB continuará como a maior bancada do Senado, com 19 senadores; seguido pelo PT, com 13. Nessa conta, estão contabilizados os dois titulares das cadeiras que estão licenciados por ocuparem cadeiras na Esplanada dos Ministérios: Marta Suplicy (PT-SP), titular da Cultura, e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que está na Previdência Social.

Não está certo se, na reforma ministerial, Marta ou Garibaldi voltarão para o Senado. Nada muda, no entanto, no contagem de 53 cadeiras a favor de Dilma. Se Marta continuar no ministério, o suplente dela, Antonio Carlos Rodrigues, é do PR, sigla que fez parte da Coligação com a Força do Povo, pela reeleição de Dilma (PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB). E caso seja mantido no Senado, o suplente de Garibaldi Alves, Paulo Davim (PV), tradicionalmente também vota a favor do governo, embora o Partido Verde não tenha integrado a coligação de Dilma.

O apoio de toda a bancada do PMDB ao governo Dilma não tem sido automático durante todo o primeiro mandato, uma vez que parte dos parlamentares do partido não apoiam irrestritamente as propostas enviadas pelo Executivo.

Mesmo com duas cadeira a menos, o PSDB terá 10 representantes, mas com um time mais forte do que na atual legislatura: além de Aécio Neves e Aloysio Nunes, os ex-governadores José Serra (SP), Antonio Anastasia (MG), Tasso Jereissati (CE) e Cássio Cunha Lima (PB). O DEM, por sua vez, manterá as atuais quatro cadeiras, mas terá o combativo deputado e líder ruralista Ronaldo Caiado (GO) no Senado. O PSB, que no segundo turno presidencial decidiu apoiar Aécio, por sua vez, pode engordar a oposição e terá seis senadores, entre eles o ex-ministro da Integração Nacional do governo Dilma, Fernando Bezerra.

Veja a lista dos senadores titulares que podem assumir o mandato no próximo ano:


Acre 

Gladson Cameli (PP) - senador eleito 

Jorge Viana (PT) 

Sérgio Petecão (PSD) 


Alagoas 

Fernando Collor (PTB) - senador reeleito 

Benedito de Lira (PP) 

Renan Calheiros (PMDB) 


Amapá 

Davi Alcolumbre (DEM) - senador eleito 

João Capiberibe (PSB) 

Randolfe Rodrigues (Psol) 


Amazonas 

Omar Aziz (PSD) - senador eleito 

Eduardo Braga (PMDB) - perdeu a eleição para governador no 2º turno 

Vanessa Grazziotin (PCdoB) 


Bahia 

Otto Alencar (PSD) - senador eleito 

Lídice da Mata (PSB) 

Walter Pinheiro (PT) 


Ceará 

Tasso Jereissati (PSDB) - senador eleito 

Eunício Oliveira (PMDB) - perdeu a eleição para governador no 2º turno 

José Pimentel (PT) 


Distrito Federal 

Reguffe (PDT) - senador eleito 

Cristovam Buarque (PDT) 

Hélio José (PSD) - assume o lugar de Rodrigo Rollemberg (PSB), eleito governador em 2º turno


Espírito Santo 

Rose de Freitas (PMDB) - senadora eleita 

Magno Malta (PR) 

Ricardo Ferraço (PMDB) 


Goiás 

Ronaldo Caiado (DEM) - senador eleito 

Fleury (DEM) 

Lúcia Vânia (PSDB) 


Maranhão 

Roberto Rocha (PSB) - senador eleito 

João Alberto Souza (PMDB) 

Edison Lobão (PMDB) - é ministro de Minas e Energia. Seu suplente, Lobão Filho, também é do PMDB 


Mato Grosso 

Wellington Fagundes (PR) - senador eleito 

Blairo Maggi (PR) 

José Antônio Medeiros (PPS) - assume o lugar de Pedro Taques (PDT), eleito governador em 1º turno 


Mato Grosso do Sul 

Simone Tebet (PMDB) - senadora eleita 

Delcídio do Amaral (PT) - perdeu a eleição para governador em 2º turno 

Waldemir Moka (PMDB) 


Minas Gerais 

Antonio Anastasia (PSDB) - senador eleito 

Aécio Neves (PSDB) - perdeu a eleição presidencial em 2º turno 

Zezé Perrella (PDT) 


Pará 

Paulo Rocha (PT) - senador eleito 

Flexa Ribeiro (PSDB) 

Jader Barbalho (PMDB) 


Paraíba 

José Maranhão (PMDB) - senador eleito 

Cássio Cunha Lima (PSDB) - perdeu a eleição para governador em 2º turno 

Vital do Rêgo (PMDB) 


Paraná 

Alvaro Dias (PSDB) - reeleito 

Gleisi Hoffmann (PT)

Roberto Requião (PMDB) 


Pernambuco 

Fernando Bezerra (PSB) - senador eleito 

Armando Monteiro (PTB) 

Humberto Costa (PT) 


Piauí 

Elmano Férrer (PTB) - senador eleito 

Ciro Nogueira (PP) 

Regina Sousa (PT) - assume no lugar de Wellington Dias (PT), eleito governador em 1º turno 


Rio de Janeiro 

Romário (PSB) - senador eleito 

Lindbergh Farias (PT) 

Marcelo Crivella (PRB) - perdeu a eleição para governador em 2º turno 


Rio Grande do Norte 

Fátima (PT) - senadora eleita 

José Agripino (DEM) 

Garibaldi Alves (PMDB) - atualmente licenciado, é ministro da Previdência. Seu suplente é Paulo Davim (PV)


Rio Grande do Sul 

Lasier Martins (PDT) - senador eleito 

Ana Amélia (PP) 

Paulo Paim (PT) 


Rondônia 

Acir Gurgacz (PDT) - reeleito 

Ivo Cassol (PP) - atualmente licenciado, seu suplente é Odacir Soares (PP) 

Valdir Raupp (PMDB) 


Roraima 

Telmário Mota (PDT) - senador eleito 

Ângela Portela (PT) 

Romero Jucá (PMDB) 


Santa Catarina 

Dário Berger (PMDB) - senador eleito 

Luiz Henrique (PMDB) 

Paulo Bauer (PSDB) 


São Paulo 

José Serra (PSDB) - senador eleito 

Marta Suplicy (PT) - atualmente licenciada, é ministra da Cultura. Seu suplente, Antonio Carlos Rodrigues, é do PR 

Aloysio Nunes (PSDB) - vice de Aécio, perdeu a disputa presidencial em 2º turno 


Sergipe 

Maria do Carmo Alves (DEM) - reeleita 

Antônio Carlos Valadares (PSB) 

Eduardo Amorim (PSC) - atualmente licenciado, seu suplente é Kaká Andrade (PDT) 


Tocantins 

Kátia Abreu (PMDB) - senadora eleita 

Ataídes Oliveira (Pros) 

Vicentinho Alves (SD)


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