Presidente aposta em PIB de até 5% em 2012

Dilma crê que 'boa situação fiscal' vai levar Brasil a 'um dos melhores anos deste País'

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h02

Mesmo com o crescimento zero do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, a presidente Dilma Rousseff demonstrou ontem otimismo com o crescimento da economia em 2012, apostando numa taxa entre 4,5% e 5%, com inflação controlada.

Dilma reconheceu, porém, que a crise internacional será de "longo prazo" e "com picos críticos". A presidente fez questão de ressaltar, no entanto, que a "boa situação fiscal" deu "bom fôlego" e permitiu ao País estar agora em situação melhor para enfrentar a crise do que em 2009. "Temos mais recursos próprios do que antes. Temos margem de manobra na política monetária", disse, em encontro com jornalistas no Planalto.

Mais tarde, em outra cerimônia, de balanço do Plano Brasil sem Miséria, Dilma foi ainda mais otimista: "Posso assegurar para você que, naquilo que depender de mim, 2012 será um dos melhores anos deste País".

Depois de lembrar que os problemas se avolumam porque a China está crescendo menos e a Europa está enfrentando muitos problemas, com um aperto fiscal em vários países, a presidente citou que o Brasil sempre teve uma posição de ajuda, de solidariedade e nunca de "soberba".

"Ficamos 20 anos no ajuste fiscal sem luz no fim do túnel e sabemos onde ele vai dar", disse, referindo-se à cartilha imposta pelo FMI seguida pelo Brasil nos anos 80. "Fomos bastante enfáticos ao dizer que eles deviam procurar combinar as duas coisas, como forma de sair da crise com maior rapidez. Quanto mais a economia está crescendo, é que nem andar de bicicleta, parou, caiu."

Controle. Durante a conversa, a presidente fez questão de assegurar que a inflação ficará sob controle, "com uma curva suave". Em seguida, emendou: "Ela não está descontrolada". Dilma anunciou também que o governo vai atingir, sem nenhum problema, a meta de superávit primário deste ano. "Faremos esse superávit cheio. A expectativa é para fechar este ano em R$ 91,7 bilhões. Vamos atingir sem nenhum problema", afirmou. Para ela, isso sinaliza que o País, a partir do fim dos anos 1990, "entrou numa trajetória de estabilidade".

A presidente classificou o Brasil como um país de "oportunidades de investimento por ter uma economia em expansão".

Respondendo às críticas de alguns setores de que a indústria brasileira estava sofrendo processo de sucateamento, a presidente foi enfática: "Ela não foi sucateada", afirmou, informando que "algumas estão intactas, outras faltam elos, outras têm um nível de integração internacional, outras vão ter de, progressivamente, agregar valor". "Podem ter certeza que nós temos de temos política industrial, sim", afirmou.

Na opinião da presidente, no entanto, o mercado brasileiro não tem de ser necessariamente fechado. "Achamos que uma parte do mercado brasileiro tem de estar aberto para maior competitividade, acesso a melhor tecnologia, para que você não crie feudos, feudos que são sempre ineficazes, ineficientes", completou Dilma.

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