Presidente agora tem de lidar com 'fator Campos' na região

Aécio, que aposta alto no Sudeste, também estuda formas de obter pelo menos uma parte dos votos dos nodestinos

Débora Bergamasco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2014 | 02h03

À medida que o debate eleitoral ganha espaço na mídia e na rotina dos políticos, as equipes dos principais pré-candidatos começam a dar atenção especial ao Nordeste, que concentra 27% do eleitorado brasileiro. Para o governo, a região pode ser de novo o grande fator de vantagem eleitoral e garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Para seus dois rivais diretos - o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) -, o fato de entrar na disputa uma importante liderança nordestina - o próprio Campos - pode mudar o cenário e neutralizar a estratégia do Planalto.

A equipe do presidenciável tucano Aécio Neves (MG) sabe que a chance de o seu partido vencer na região é remota, mas conta com Campos para reduzir a vantagem da presidente na região. Em 2010, Dilma recebeu na região, no primeiro turno, mais de 15 milhões de votos, o triplo dos 5 milhões de seu oponente José Serra (PSDB).

Por isso, Aécio planeja concentrar seus esforços de campanha não só em São Paulo, onde também precisa avançar, mas nos Estados nordestinos. Em suas propagandas eleitorais, passará a mensagem de que é um candidato "testado e aprovado" em relação aos problemas do Nordeste. Vai dizer, por exemplo, que Minas Gerais, onde foi governador por oito anos, é "uma síntese do Brasil", que contém o Vale do Jequitinhonha - uma área com desafios e realidades semelhantes aos do Nordeste - pelo clima, vegetação e realidade social.

Será tema de destaque, na estratégia do senador mineiro, a lista de suas realizações voltadas para as populações mais pobres de Minas Gerais - uma forma de comunicar que poderá fazer o mesmo para os nordestinos. Outra missão crucial da campanha de Aécio será convencer o eleitorado nordestino de que benefícios sociais como o Bolsa Família ou programas como os Mais Médicos não serão extintos, nem reduzidos. Vai dizer, ao contrário, que eles serão melhorados.

Nordestino. O PSB está confiante no bom potencial da campanha de Eduardo Campos para atrapalhar a votação de Dilma nos Estados vizinhos a Pernambuco. O partido projeta 'vender' na campanha os acertos da administração de seu governo como um indício de que ele é o candidato que melhor conhece a realidade da região.

Ao lado disso, o partido já se organiza para encaminhar as alianças regionais. O PSB deve lançar candidato próprio na maior parte dos nove Estados da região - com destaques para Bahia, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Desafio. O que aparece como vantagem no Nordeste, contudo, pode ser um problema para Campos no resto do País, especialmente no Sudeste. Ele quer se apresentar - e sabe que precisa disso - como um postulante nacional, com propostas que contemplem em detalhes todas as regiões, de norte a sul.

Legado. A tática escolhida pela equipe petista é mostrar o legado do PT no Nordeste. Isso inclui recapitular tudo o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez para reduzir a miséria para as populações dos nove Estados durante seus dois mandatos. A esses feitos pretende emendar os realizados no governo de Dilma, expondo as obras de infraestrutura implantadas ou retomadas - como barragens, refinaria de petróleo e a transposição do Rio São Francisco.

Nas propagandas eleitorais, o PT vai insistir na afirmação de que foi o partido que mais fez e continuará fazendo na região.

Essa é uma das estratégias imaginadas para desarmar o discurso de Campos. O comando da campanha petista já tem em mãos uma lista de índices econômicos positivos e a ideia é mostrá-los, destacando por exemplo os resultados dos investimentos feitos não só em Pernambuco mas também nos outros Estados durante os dois mandatos de Lula e, agora, por Dilma.

O plano de trabalho petista também falará do futuro. Economistas projetam ritmo mais acelerado de crescimento nos próximos anos para o Nordeste e veem como razão disso fatores como a recuperação da indústria extrativa (que tem presença no Nordeste) e os ganhos obtidos no mercado de trabalho, fator que tem impulsionado os serviços e o comércio nessas regiões.

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