Presidente abre canal de negociação para 'salvar' visita aos EUA

A presidente Dilma Rousseff abriu um canal de negociação com o governo americano que passa longe da indignação das notas oficiais e do tom duro dos discursos públicos. A intenção é "salvar" a visita de Estado a Washington exercitando uma máxima diplomática: ser dura na defesa da soberania brasileira, mas sem "faca no pescoço" dos americanos.

BASTIDORES: Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 02h10

Depois de cancelar a viagem da missão precursora à capital americana e de cobrar o presidente Barack Obama sobre os episódios de espionagem, o Planalto ajustou a sintonia de suas exigências e aguarda agora, dos Estados Unidos, "explicações satisfatórias" - para que se criem "condições políticas" para a viagem.

A visita de Estado está marcada para o dia 23 de outubro. O governo brasileiro já sabe que a resposta prometida por Obama pode até não vir amanhã, como se espera. Pode chegar depois ou até não vir.

Mas, para ajudar na construção do caminho para viabilizar a viagem a Washington, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, se encontra amanhã com a conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice, em Washington. Neste encontro espera-se que possa ser apresentada uma "explicação satisfatória".

Para alguns assessores presidenciais, uma resposta satisfatória passa, por exemplo, pelo reconhecimento de que houve abusos por parte da Agência Nacional de Segurança (NSA , na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Com isso, a viagem estaria confirmada. Mas há quem ache que isso não é suficiente e que a presidente precisaria manter a postura rígida.

A polêmica, lembram assessores de Dilma, tem servido neste momento para que a presidente exercite um discurso nacionalista, defendendo o País e se beneficiando politicamente do episódio.

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