Presidenciáveis invadem programas estaduais de TV

Em Minas e em São Paulo, Aécio e Dilma, respectivamente, ocupam espaço em horário eleitoral dedicado à disputa dos governos locais

Marcelo Portela/BELO HORIZONTE e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 23h11

Os presidenciáveis do PT e do PSDB invadiram nesta quarta-feira os programas eleitorais dos candidatos dos partidos aos governos de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. A presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, e o tucano Aécio Neves usaram parte das propagandas na TV dos respectivos candidatos nos Estados - os dois maiores colégios de eleitores do País - para pedir apoio a seus projetos eleitorais.

A legislação eleitoral permite que candidatos que disputem eleições nacionais, por exemplo, apareçam em programas de candidatos locais do mesmo partido ou coligação desde que seja pedindo votos para o candidato ao qual o espaço é dedicado.

Na tentativa de recuperar espaço em Minas, seu principal nicho eleitoral, Aécio apareceu no horário do candidato tucano em Minas, Pimenta da Veiga.

Durante 1min21s de um total 8 min18s o programa de Pimenta exibiu o presidenciável tucano conclamando os mineiros.

“Posso ser presidente da República em nome de Minas, da nossa história, dos nossos valores. Nunca precisei tanto de Minas e dos mineiros como preciso agora. Preciso do seu apoio, da sua solidariedade, do seu trabalho para juntos governarmos o Brasil”, afirma o candidato do PSDB, que está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais. Na mais recente pesquisa do Ibope, Aécio aparece com 19% das intenções de voto, dez pontos porcentuais atrás de Marina Silva (PSB) e 17 pontos a menos que a petista.

Em sua fala no programa de Pimenta, o tucano fez referência a Juscelino Kubitschek e ignorou o fato de a presidente Dilma Rousseff ser natural de Belo Horizonte ao afirmar que “há mais de 60 anos Minas não elege um presidente da República pelo voto direto”.

Aécio pediu o “trabalho” da população para “resgatar esse sonho legítimo dos mineiros”. “Mas para isso preciso muito do seu empenho”, diz o candidato à Presidência, que apenas no final cita Pimenta da Veiga - diz que “a maior ajuda” que o eleitor pode dar a esse projeto “em favor de Minas e do Brasil” é o voto no candidato tucano ao governo estadual.

No fim da tarde, ao participar de encontro com representantes de centrais sindicais em Belo Horizonte, Aécio negou ter desrespeitado a Lei Eleitoral. “Somos um só. Seria estranho se eu não estivesse no programa de Pimenta”, afirmou. “Estranho seria se as pessoas não identificassem Pimenta da Veiga como aquele que vai dar continuidade a esse projeto. E quanto mais eu puder dizer isso eu vou dizer.”

Segundo o Ibope, em Minas - Estado que governou por dois mandatos - Aécio tem 31% das intenções de voto, contra 32% da presidente Dilma Rousseff.

Programas. Na quarta-feira, a presidente ocupou quase 1min30s da propaganda eleitoral na TV do candidato petista ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, para apresentar números e resultados de programas federais no Estado. Na parte final da propaganda, a petista disse que durante seu governo “colocou muito dinheiro” em obras paulistas e exaltou ações do Minha Casa Minha Vida, do Mais Médicos, além de outros quatro programas de educação.

Apesar de ser mencionada com frequência por Padilha em suas propagandas, Dilma começou a aparecer com destaque nesta semana. Na segunda-feira, também na parte final do programa, a presidente fez pela primeira vez uma declaração de apoio à candidatura do petista.

Na quarta-feira, porém, após Padilha responder a ataques do governador tucano Geraldo Alckmin, Dilma mencionou o nome do petista apenas uma vez, na última frase de sua fala. No restante do tempo, enumerou investimentos federais destinados ao Estado. “Nos últimos quatro anos fizemos muito por São Paulo. Mas nem todos os paulistas foram informados sobre isso”, afirmou a presidente.

Ela enfatizou a destinação de recursos federais para transportes e mobilidade urbana em São Paulo e chegou a comparar a entrega de moradias populares feitas por sua gestão e pelo governo do Estado. “Já entregamos e contratamos 638 mil moradias pelo Minha Casa Minha Vida. E isso é mais do que a CDHU entregou em toda a sua história”, disse em referência à empresa estadual Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano.

O Sudeste é estratégico para a campanha de Dilma e a presidente vai investir numa série de mobilizações e eventos na região nesta reta final da disputa. Na segunda-feira, vai participar de um grande comício na região de Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Ela ainda deve participar de atos no Rio e em Minas Gerais antes do 1.º turno.

Diante da impossibilidade física de Dilma comparecer em todos eventos, o PT vai mobilizar suas principais lideranças na região. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em um ato na Cidade Tiradentes, zona leste, no dia 1o. O presidente do diretório estadual do PT paulista, Emídio de Souza, organiza uma série de agendas com ministros paulistas, como Marta Suplicy (Cultura), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Arthur Chioro (Saúde), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. 

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