Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo volta após 10 anos

A última edição foi em 2002; nome homenageia o primeiro jornalista assassinado no Brasil por exercer a profissão

O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 02h05

O Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo foi relançado em cerimônia ontem em São Paulo. A premiação não era realizada desde 2002. Esta será a sua décima edição, que vai distribuir R$ 76 mil em prêmios a 11 diferentes categorias. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de maio.

O nome do prêmio é uma homenagem ao primeiro jornalista assassinado no Brasil devido ao exercício da profissão, em 1830. Editor do Observador Constitucional, Líbero Badaró foi morto a tiros quando voltava para sua casa, no centro de São Paulo - e a rua do crime recebeu seu nome. É dele também um dos primeiros textos publicados no País em defesa da liberdade de imprensa.

Durante o lançamento do prêmio, ontem, foi realizado um debate sobre o assunto, com foco na censura e em processos judiciais contra jornais e jornalistas. Manuel Alceu Ferreira, advogado do Estado, relatou a censura que o jornal sofre há mais de três anos, ao ser impedido de publicar informações relativas à Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que envolve o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).

Nova lei. Alceu Ferreira defendeu a volta da Lei de Imprensa, adaptada aos princípios democráticos. O texto original foi revogado em 2009 pelo Supremo Tribunal Federal- era uma das últimas legislações do tempo da ditadura ainda em vigor.

Já a advogada do jornal Folha de S.Paulo, Taís Gasparian, afirmou não ser favorável a uma nova lei, mas defendeu a necessidade de regulamentação em algumas áreas, como as questões que envolvem direito de resposta.

O diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Guilherme Alpendre, afirmou que na entidade há correntes que defendem as duas ideias. Em sua fala, Alpendre também relatou casos de ameaças a jornalistas brasileiros em 2012, mas fez ressalvas quanto a dados que colocaram o Brasil no alto do ranking, entre países onde seria perigoso exercer a profissão. / ISADORA PERON

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