Prefeitura quer agora arrancar páginas que destacam Paes

Após 'Estado' mostrar que cartilha do Rio aborda desempenho eleitoral do prefeito, secretaria orienta professores a retirar folhas

ALFREDO JUNQUEIRA, ANTONIO PITA / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h05

A Secretaria Municipal de Educação do Rio vai orientar os professores da rede a suprimir as páginas do caderno pedagógico de matemática que destacam o desempenho eleitoral do prefeito Eduardo Paes (PMDB) no pleito passado. A decisão foi tomada depois que o Estado revelou o conteúdo do material que está sendo distribuído aos alunos do 6º ano.

A cartilha apresenta, nas páginas 22 e 23, diversos problemas de matemática tendo como base gráficos e dados sobre o desempenho de Paes em sua reeleição. São citados os nomes do prefeito e de seus adversários. Uma das perguntas feitas aos alunos era justamente qual o nome do prefeito da cidade.

O material contém ainda um texto que praticamente reproduz o lema de campanha do peemedebista, que tinha como principal bandeira a união política entre os governos municipal, estadual e federal. Paes foi reeleito com o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB) e da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo com a decisão de suprimir as páginas, a administração municipal ainda terá que prestar explicações oficialmente sobre a confecção do material e a suspeita do uso de conteúdo didático para propaganda pessoal do prefeito. Além do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio, pelos menos três vereadores anunciaram que vão pedir ao Ministério Público que instaure inquérito para apurar se houve improbidade administrativa na produção e distribuição do material.

O vereador Cesar Maia (DEM), que foi prefeito da cidade em três mandatos, disse que sua assessoria jurídica está preparando uma ação civil pública contra a prefeitura. "O prefeito será condenado por isso." Os vereadores do PSOL Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro também vão cobrar explicações da prefeitura.

Banco. Em outra polêmica envolvendo a Prefeitura do Rio, o jogo Banco Imobiliário - Cidade Olímpica será alvo de investigação do Ministério Público. No jogo, os participantes investem recursos em obras e programas criados por Paes em sua gestão. A prefeitura gastou R$ 1,05 milhão para comprar 20 mil jogos, que estão sendo distribuídos em escolas da rede.

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