Prefeitura do Nordeste concentra 98% dos empregos

A prefeita de São Bento do Trairi, Luana Kaly Ramalho (PSB-RN), assumiu a prefeitura há nove meses mas já sente o enorme peso do funcionalismo público no orçamento. Com 4.200 habitantes, a cidade, no Agreste do Rio Grande do Norte, tem empregados na prefeitura 98% dos seus habitantes com carteira de trabalho. "É um peso muito grande", admite a gestora.

ANNA RUTH DANTAS , SÃO BENTO DO TRAIRI (RN) , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2013 | 02h05

Antepenúltima colocada, na lista de 5.164 pesquisados da Firjan, a cidade tem sua economia concentrada na máquina pública. "Temos ainda uma fábrica de papel e outra de doces, que também empregam e ajudam na economia", afirmou.

Kaly Ramalho não soube informar a proporção da receita gasta com funcionalismo: o balanço de 2012 ainda não foi apresentado. "Vamos aguardá-lo e ver o que diz o Tribunal de Contas do Estado. Se ele fizer recomendação (sobre o gasto com funcionalismo) aí poderemos agir".

Outro dos piores índices com gasto de pessoal, segundo os dados da Firjan, é o de Emas, na Paraíba, poucos pontos acima de São Bento na lista, em 5.155º lugar. Mas seu problema é diferente: com cerca de três mil habitantes, a cidade tem apenas 323 funcionários municipais - números do Tribunal de Contas do Estado - mas gasta com eles metade da receita. Em julho, esses números foram de R$ 372 mil, ou 50,34% de tudo o que a prefeitura tem para gastar.

A prefeitura sobrevive das transferências correntes e não tem nenhuma receita própria. Em julho, a prefeitura recebeu nessas transferências R$ 685.442,78. A vice-prefeita Anete Loureiro (PR) não quis comentar os resultados. "Procure nosso contador", defendeu-se. / COLABOROU JANAÍNA ARAÚJO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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