Prefeitos do PMDB deixam Skaf e dão apoio a Alckmin

Chefes do Executivo de 69 municípios participam de evento com tucano; aliado de peemedebista atribui debandada à dependência de verbas

RICARDO CHAPOLA , JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2014 | 02h01

O governador Geraldo Alckmin recebeu ontem o apoio de 69 prefeitos do PMDB em jantar no Clube Esperia, na zona norte de São Paulo. O PMDB é o partido de Paulo Skaf, adversário do tucano na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Atualmente, a legenda comanda 92 prefeituras no Estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"É com muita honra, com muita alegria, que declaro meu apoio integral ao governador Geraldo Alckmin'', disse o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri, ao microfone, durante o encontro que não foi divulgado pela campanha tucana. "Devo grande parte da minha reeleição ao senhor, a sua ajuda, à forma como o senhor nos apoiou e esteve ao nosso lado.''

Barbieri disse que foi procurado ontem por um coordenador da campanha de Skaf, mas não citou o nome do candidato de seu partido. Em seu relato aos outros prefeitos e a Alckmin, afirmou: "Pode vir, a cidade está aberta. Mas agora o cidadão vem me procurar a 5 dias da eleição? Ele nunca me ligou, nunca me pediu apoio'', disse.

Em seguida, Barbieri classificou Skaf como "candidato de gabinete''. "O cidadão que não é da política, que não convive com o meio político, que não sabe o que é fazer política, que é candidato de gabinete. Digo com tranquilidade: o sentimento da alma peemedebista está com o governador Geraldo Alckmin.''

Segundo ele, o encontro dos prefeitos com Alckmin foi comunicado ao vice-presidente da República, Michel Temer, que, pelo que notou Barbieri, "não censurou'' o ato de apoio.

"Michel Temer sabe que estamos aqui. Eu falei com ele. E não ouvi da parte dele nenhuma censura. Ouvi o grande carinho que ele nutre pelo governador'', disse Barbieri, o primeiro a falar ao microfone que rodou por todas as mesas onde os demais prefeitos comiam pizza e bebiam refrigerante.

Os 69 peemedebistas receberam um convite feito pela campanha de Alckmin. Na entrada do local do jantar, tucanos iam confirmando os nomes dos prefeitos à medida que chegavam. A relação continha 80 nomes.

O coordenador da campanha de Alckmin, Edson Aparecido, foi o mestre de cerimônias. Segundo ele, além dos 69 prefeitos presentes, outros 4 comunicaram que não poderiam comparecer por motivos de agenda, mas mesmo assim transmitiram mensagem de apoio ao tucano.

Coordenadores da campanha de Skaf dizem que não passam de 10% os prefeitos do PMDB que fazem campanha para Alckmin. O presidente do PMDB paulista, deputado Baleia Rossi, ameaça puni-los: "O PMDB é Skaf'', disse.

O ex-governador Luiz Antonio Fleury, coordenador da campanha de Skaf, atribui a conduta dos prefeitos ao fato de não quererem se indispor com o governo estadual, de onde grande parte deles recebe recursos.

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