Prefeitos ajudam a ampliar bancadas federais, diz estudo

A eleição municipal de outubro terá mais reflexo na formação da bancada de deputados federais no Congresso em 2014 que na disputa presidencial do mesmo ano. De acordo com estudo inédito da Fundação Getúlio Vargas, os prefeitos eleitos conseguem aumentar em 20% a bancada de parlamentares de seu partido nas eleições posteriores às suas.

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2012 | 03h06

Em Articulações Intrapartidárias e Desempenho Eleitoral no Brasil, os professores George Avelino e Ciro Biderman e o pesquisador Leonardo Barone, do Centro de Estudos de Política e Economia do Setor Público, da FGV-SP, quantificaram pela primeira vez a influência que a eleição para prefeito tem na formação das bancadas federais, que ocorre sempre dois anos depois da disputa municipal.

"A conclusão principal é que, muito mais do que os resultados das eleições presidenciais, o que parece estar em jogo nessas eleições é a formação das futuras bancadas partidárias na Câmara de Deputados", diz Avelino.

Para chegar à conclusão, os professores estudaram os resultados da eleição em 266 municípios, nas disputas municipais de 2008 e nacionais de 2010 - em cidades nas quais a eleição foi apertada e onde não houve segundo turno. Compararam a votação dos deputados do partido que venceu a eleição para prefeito com a votação dos deputados da sigla derrotada na eleição municipal daquela localidade.

O resultado é que, na média, o eleito tende a aumentar em 20% a votação da bancada de seu partido. "Em princípio, os resultados valem para qualquer município do nosso universo (5221). Em qualquer desses casos, eleger um prefeito dá, em média, um desempenho 20% maior para o partido", disse Avelino.

O resultado mostra que a força política de legendas como 0 PMDB, do vice-presidente Michel Temer, está baseada nos municípios. "O PMDB é um partido que não tem presidente (da República), só que sistematicamente tem em torno de mil prefeitos. Isso sustenta boa parte da bancada federal", afirmou Biderman.

O PMDB elegeu 1.199 prefeitos em 2008, tornando-se o partido com o maior número de prefeituras. Dois anos depois, a sigla elegeu a segunda maior bancada de deputados federais, com 79 vagas, atrás apenas do PT.

No Brasil, a influência dos prefeitos na formação da bancada de deputados - não só federais como estaduais - vai na contramão do que ocorre nos Estados Unidos, onde o presidente da República eleito tem influência na formação de parte do Congresso na eleição seguinte.

O estudo evidencia a existência de uma articulação intrapartidária, pois o prefeito vencedor atuaria sistematicamente a favor dos candidatos a deputado do próprio partido, tendo a seu favor vantagens, como o acesso a transferências de recursos estaduais e federais. O Executivo municipal, portanto, se beneficiaria eleitoralmente da implementação de políticas públicas.

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