Angela Lacerda / Recife, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2013 | 02h09

O prefeito tucano de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife, resolveu "radicalizar" na consulta direta à população após as manifestações que se espalharam pelo País em junho.

Elias Gomes vai distribuir na sexta-feira da semana que vem urnas em pontos de alto fluxo de pessoas e em bairros mais afastados da cidade. Quer saber a opinião dos eleitores a partir de 12 questões envolvendo educação, saúde, segurança, transportes, infraestrutura, gastos públicos, Poder Legislativo, competitividade, esportes e lazer. Cada tema terá opções a serem marcadas com um "x" e um espaço para sugestões.

Depois da votação nas urnas, a prefeitura afirma que vai ouvir a população via internet, por meio de um site específico.

De posse do resultado, os dados serão sistematizados e apresentados para discussão e deliberação na Plenária da Cidade, que o prefeito qualifica como "uma grande concentração político-administrativa", com a participação dos moradores.

Sem data prevista, a plenária deverá ser realizada em um estádio ou quadra de esportes.

Gomes diz estar empolgado. "As manifestações não são um problema, são uma oportunidade de atrair e envolver mais a população e, juntos, podermos fazer uma repactuação da estratégia e do plano de governo."

Números. Jaboatão tem uma população de cerca de 700 mil pessoas e uma estimativa de 390 mil eleitores - este o público-alvo das consultas. Sua arrecadação anual, de R$ 800 milhões, só perde para a do Recife.

Gomes está no segundo mandato e é figura controversa - ele mesmo tem sido alvo de protestos, que chama de eleitoreiros.

Segundo o tucano, seu governo já utiliza várias formas de consulta e envolvimento da população, a exemplo de conselhos de bairros e plenárias regionais, prestação de contas via Portal da Transparência e o programa "Prefeitura com você", quando despacha, com seu secretariado, em diferentes bairros. "A apatia social é grande", avalia ele, ao observar que são poucos os que se envolvem com a administração, seja criticando, fiscalizando ou sugerindo.

Com as manifestações, ele acredita que "a população vai se animar". Ele contou ter ficado emocionado e muito feliz ao ver os protestos nas ruas. "É um momento próprio para compartilhar melhor", diz.

Sua expectativa é a de que 10 mil pessoas atendam à conclamação e participem da consulta. A meta é instalar tribunas populares depois da plenária, para que a população possa acompanhar e fiscalizar o que for pactuado.

Nacionalmente, seu partido, o PSDB, é contra o plebiscito da reforma política. A direção tucana defende um referendo sobre o tema, quando a população é consultada para ratificar ou não um projeto aprovado pelo Congresso.

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