Epitacio Pessoa / Estadão
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Prefeito e ex-reitora da USP se enfrentam em Ribeirão Preto

Pesquisa Ibope mostra o tucano Duarte Nogueira, que concorre à reeleição, com 61% dos votos válidos e Suely Vilela (PSB) com 39%

Everton Sylvestre / Especial para o Estado, Ribeirão Preto

29 de novembro de 2020 | 05h00

RIBEIRÃO PRETO – Os 441.845 eleitores de Ribeirão Preto decidem neste domingo se vão dar mais quatro anos ao prefeito Duarte Nogueira (PSDB) ou se a ex-reitora da USP Suely Vilela (PSB) assumirá a prefeitura em 2021. No primeiro turno, o tucano teve 45% dos votos válidos e Suely, 20%.  Pesquisa Ibope divulgada pela EPTV na noite de sábado, 28, mostra Nogueira com 61% dos votos válidos e Suely, com 39%. Os votos válidos não levam em conta os nulos e em branco, que somam 13%. Considerando os votos totais, Nogueira tem 52% e Suely, 33%. E 3% não sabem ou não opinaram.  O Ibope ouviu 504 pessoas entre 27 e 28 de novembro. A pesquisa foi registrada no TRE: 09769/2020, tem margem de erro de 4 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%.

No segundo turno de 2016, Ribeirão Preto teve a maior abstenção do Brasil: 27,6%. Agora em 2020, com a pandemia, o índice foi superado no primeiro turno, com recorde histórico de 32%. Na busca por convencer o eleitor a ir votar, os candidatos intensificaram o corpo a corpo nos últimos dias de campanha, mesmo com o número de casos de covid em alta na cidade, que acumulava 894 mortes até a última sexta-feira.

Os dois candidatos sempre usaram máscara nesses compromissos, mas Nogueira não se recusou a pegar crianças e apertou a mão de idosos, vários deles sem máscara. Na última quinta-feira, Suely esteve no mercado municipal, onde abraçou mulheres que tiraram a máscara para comer espetinho, em companhia do deputado Ricardo Silva (PSB) e do ex-governador Márcio França (PSB), terceiro colocado na eleição para prefeito de São Paulo neste ano. Nogueira, que declarou apoio a Jair Bolsonaro (então PSL e hoje sem partido) no segundo turno da eleição presidencial de 2018, optou por não ter figuras de fora da cidade em sua campanha.

Com grande parte da população preocupada com as questões econômicas resultantes da pandemia, Suely procurou apresentar proposta para promover o desenvolvimento econômico. Nogueira, por sua vez, apontou o governo do correligionário João Dória como responsável pelos prejuízos econômicos sofridos pela cidade em função das medidas contra a pandemia determinadas pelo Estado.

Na campanha, o tucano mostrou obras em andamento, que credita a seu governo, e sempre dizia que pegou “uma cidade destruída” ao término da gestão Dárcy Vera (sem partido) – única mulher eleita para a prefeitura e única ocupante do cargo reeleita em Ribeirão Preto. E disse que, reeleito, fará o que não foi possível realizar em quatro anos, como levar em frente a construção de AMEs e erguer mais uma UPA

Suely insistiu em propostas como oferta de crédito pela prefeitura para cidadãos abrirem pequenos negócios e viabilização de aplicativo para marcar consultas. E afirmou que fará gestão compartilhada, caso seja eleita. 

Na reta final, o prefeito passou a afirmar que “a ex-reitora mentiu”, reproduzindo decisão judicial que determinou a retirada de propaganda de Suely com afirmações consideradas falsas de que “faltaram respiradores, testes e EPIs para profissionais de saúde” durante a pandemia e de que “na rede pública não tem remédio nenhum”.

A adversária, por sua vez, passou a reproduzir jingle ironizando a forma positiva como a cidade é retratada na propaganda de Nogueira e mostrou decisão judicial que multou por afirmações falsas dois funcionários de cargos de confiança do prefeito.

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