Prefeito é acusado de mandar matar adversário

Ivaldo Barbosa dos Santos, candidato à reeleição pelo PSD em Japeri (RJ), se diz vítima de perseguição política

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h05

O prefeito do município de Japeri, cidade de 95 mil habitantes a 70 quilômetros do Rio, é apontado pela polícia como mandante do assassinato de um comerciante que fazia oposição à prefeitura. Candidato à reeleição, Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor (PSD), nega a acusação e diz ser vítima de perseguição política.

Cinco pessoas, entre elas três ex-secretários municipais, foram denunciadas pelo Ministério Público por homicídio qualificado e estão presas. Por ter foro privilegiado, Timor só pode ser investigado pelo procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes.

Timor também é suspeito de manter um esquema de compra de apoio de vereadores, descoberto durante as investigações do assassinato. Ao cumprirem um mandado de busca na casa de um dos suspeitos, policiais encontraram um pen drive com imagens que mostram Timor entregando maços de notas de R$ 50 aos vereadores José Alves do Espírito Santo (PSB), presidente da Câmara, e José Valter de Macedo (PSB), ex-policial.

Eles também serão investigados pelo procurador-geral de Justiça. O MP-RJ disse que não recebeu cópia do inquérito, que está na Vara Criminal de Japeri.

Inimigo político. André da Silva Conceição foi morto em 2011 em casa, com dois tiros, na frente da mulher e dos três filhos. Dono de restaurante, ele pretendia se candidatar a vereador para fazer oposição ao prefeito. "Conceição estava em ascensão. Conhecia muita gente e era bem relacionado, o que estava despertando a inveja do prefeito", disse o delegado Carlos Augusto da Silva.

As testemunhas do crime reconheceram Tiago Rosa da Silva, preso em junho de 2011, como autor dos disparos. Ele negou sua participação e apontou Italo Gomes Neri como responsável. Neri confessou o crime e afirmou ter sido contratado pelo então secretário municipal Seny Júnior, de quem era motorista. Seny foi preso em junho. O carro usado pelos assassinos foi emprestado por outro secretário, Cláudio Vieira, tio do prefeito.

Timor afirma que vai processar o delegado. "Isso é abuso de autoridade e irresponsabilidade", disse. O prefeito nega a compra de apoio dos vereadores. "Eu tinha uma dívida de cerca de R$ 7 mil com os dois vereadores, que são meus amigos", explicou.

O presidente estadual do PSD, o ex-deputado Índio da Costa, solicitou à Comissão de Ética do partido que instaure procedimento disciplinar para apurar o caso. Os advogados dos ex-secretários e dos vereadores não foram localizados.

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