Prefeito de Boa Vista é reeleito com 54% dos votos

Sampaio (PSB) conquista 2º mandato; capital de Roraima não teria 2º turno por ter menos de 200 mil habitantes

Loide Gomes , O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2008 | 20h51

O prefeito de Boa Vista (RR), Iradilson Sampaio (PSB), foi reeleito com 54,35% dos votos, com 100% das urnas apuradas. O segundo colocado, o deputado federal Luciano Castro (PR), obteve 41,64% da preferência dos eleitores. A abstenção foi de quase 17%. A cidade, que tem menos de 200 mil habitantes, não tem segundo turno.   Veja também: PSDB ganha maioria das Prefeituras de Roraima A disputa pelas capitais   Confira as imagens da votação pelo Brasil Cobertura completa das eleições 2008 Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos     O presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Almiro Padilha, disse que esta foi uma das eleições mais tranqüilas dos últimos anos em Roraima. "A tranqüilidade superou nossas expectativas". O prefeito reeleito assistiu a apuração dos votos ao lado de seus eleitores, através de telões montados na Praça Velia Coutinho, no Centro da capital roraimense.   Correligionários comemoraram a vitória carregando Iradilson nos ombros no meio da multidão. Ele agradeceu o voto dos boa-vistenses e comentou que se "as crianças votassem, eu teria 90% dos votos".   Antes mesmo da totalização dos votos, o presidente Luis Inácio Lula da Silva ligou para Iradilson. Ele convidou o prefeito reeleito para uma reunião em Brasília ainda nesta semana. O encontro é para definir metas para o desenvolvimento de Boa Vista e acelerar a implantação da Área de Livre Comércio e da Zona de Processamento de Exportação em Boa Vista. Iradilson Sampaio afirmou que não promoverá mudanças no secretariado.   Os roraimenses foram às urnas neste domingo para eleger seus novos prefeitos e vereadores na data em que o Estado completa vinte anos. No dia 5 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição Federal que tirou Roraima da condição de território federal. Em sete dos 15 municípios esta é a quarta eleição municipal. Roraima não é somente o Estado mais novo do Brasil. Responde ainda pelo menor colégio eleitoral do país, com apenas 247.792 eleitores, divididos em 822 seções.   Para que as urnas chegassem a cada um dos locais de votação, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) começou a distribuí-las no dia 1. Além de carros e barcos, foram usados dois helicópteros para levar os equipamentos até quatro aldeias indígenas e para as comunidades ribeirinhas. Cerca de cinco mil pessoas foram envolvidas no pleito. O TRE treinou 3.288 mesários. Para a segurança, as polícias Civil e Militar mobilizaram quase mil homens. Já a Polícia Federal destacou cinqüenta agentes em todo o Estado e também atuou em conjunto com a Força Nacional de Segurança (FNS) em Pacaraima e Surumú, focos dos conflitos na terra indígena Raposa Serra do Sol.   "Pacaraima é um lugar que a gente sabe que tem este problema, mas estamos tranqüilos. Acredito que tudo vai correr bem por conta da presença da Polícia Federal e da FNS. Temos um grande efetivo naquela localidade", pontuou o desembargador Almiro Padilha, presidente do TRE. Apesar disso, na sexta-feira a cidade amanheceu tomada por panfletos anônimos com ataques ao líder arrozeiro Paulo César Quartiero, que tenta a reeleição a prefeito pelo DEM. Concorreram no pleito 43 candidatos a prefeito e 1.129 a vereador.   A grande preocupação do presidente do Tribunal era com a compra de votos. "Toda eleição é uma queda de braço entre o bem e o mal", diz Padilha. De um lado, explica, está a Justiça Eleitoral e todo o aparato policial. Do outro, estão os maus políticos tentando comprar o voto dos cidadãos. "O eleitor tem de resistir", alerta. Mas se a oferta é irresistível, ele orienta o roraimense a "aceitar" e votar em outro candidato. "O eleitor não tem nem obrigação moral de votar no candidato que tenta comprar seu voto, pois a oferta é ilegal e imoral".   Para coibir a prática a Justiça Eleitoral adotou uma série de providências. O uso de celulares e máquinas fotográficas nas cabines de votação foi proibido antes mesmo de o Tribunal Superior Eleitoral estender a vedação para todo o território nacional. Em sete municípios a movimentação financeira nos bancos foi restrita a saques diários de mil reais. A venda de bebidas alcoólicas está proibida em todo o Estado e o transporte de eleitores só pode ser feito por carros credenciados.   Raposa Serra do Sol   O líder arrozeiro e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, do DEM, perdeu a eleição para o segundo mandato. O candidato da oposição, Altemir Campos (PSDB) venceu com 51,04% dos votos, contra 47,07 de Quartiero. Paulo César Quartiero ganhou destaque nacional por liderar um movimento de resistência à desocupação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Com a ação, ele conseguiu levar a questão para o Supremo Tribunal Federal (STF).   O julgamento começou no dia 27 de agosto mas foi suspenso pelo pedido de vista do ministro Menezes Direito. O relator da ação, o ministro Carlos Ayres Britto, votou a favor da expulsão dos arrozeiros e todos os não-índios que permanecem no local. Pela manhã, Quartiero votou na Vila Surumu, palco dos conflitos. Ele não foi localizado para comentar a derrota. Altemir foi eleito tendo como candidato a vice-prefeito o índio macuxi Anísio Pedrosa, que ainda é o vice do prefeito Quartiero. Os dois romperam antes do início dos conflitos na Raposa Serra do Sol, em março deste ano.   Vereadores mais eleitos   O candidato Chico Doido (DEM) foi o vereador mais votado de Boa Vista com 2,64% (3.360 votos). Em segundo lugar está Alfonso Rodrigues (PR), com 2,38% (3.035 votos), seguido por Telmário Mota (PDT), com 1,86% (2.364 votos).

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