Pré-candidatos tucanos já ensaiam ataque a prefeito

Aspirantes a candidatura do PSDB não citam Kassab diretamente, mas não poupam críticas à gestão e defendem as prévias

JAIR STANGLER / ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h05

Um dia após se reunirem com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), os quatro pré-candidatos tucanos à Prefeitura de São Paulo fizeram ontem o primeiro de quatro debates programados pela sigla ensaiando as primeiras críticas à gestão Gilberto Kassab (PSD), ainda que sem citar o nome do prefeito.

Participaram do evento, na zona norte da capital, os secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli. Todos saíram em defesa das prévias.

Primeiro tucano a falar no debate, Aníbal criticou a "lerdeza" para atender às demandas da população e a transformação das subprefeituras no que classificou de meras "zeladorias". "É impossível administrar São Paulo como se fosse o Anhangabaú."

Matarazzo assumiu em seguida o microfone. Ex-secretário de Subprefeituras das gestões José Serra e Kassab, adotou um tom crítico em seu discurso. Ao defender melhorias no trânsito, Matarazzo também pregou a tese de que a Prefeitura deve "enfrentar" as empresas de ônibus para dar mais qualidade ao transporte público - o setor é considerado um dos calcanhares de Aquiles da gestão Kassab. O tucano ainda disse que a Lei Cidade Limpa precisa voltar a ser aplicada com mais rigor e os bingos devem ser combatidos - frase pela qual ganhou aplausos de apoiadores.

As críticas a Kassab ganharam ainda mais intensidade com Bruno Covas, autor do discurso mais duro da noite. Além de atacar a falta de opções de lazer e o déficit de creches na periferia - queixas entregues em documento por militantes do PSDB na zona norte -, provocou quem torce contra uma candidatura tucana, referência indireta aos apoiadores da aliança com o PSD.

"Aqueles que estão perto das benesses oficiais, mas longe do pulsar das ruas, estão tentando trabalhar contra, mas não vão conseguir", disse Bruno Covas. Ele afirmou que a Prefeitura não pode ser "higienista", usando "mangueira" para tirar o povo das calçadas. A expressão incomodou Matarazzo, que se envolveu em polêmica sobre o assunto com o padre Júlio Lancelotti, ainda na gestão Serra.

Último a discursar, Tripoli apontou problemas da cidade, mas foi quem atacou mais diretamente o candidato do PT, o ministro Fernando Haddad (Educação), que recentemente errou o nome do Itaim Paulista, bairro da periferia da zona leste. "Falavam que não devíamos visitar os diretórios, que estávamos na contramão da história. Quem está na contramão da história é o nosso adversário, que tirou da disputa quatro candidatos para impor um candidato que nem sequer conhece o Itaim Paulista, conhece o Itaim-Bibi", afirmou.

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