Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pré-candidatos ligados ao MBL lideram vaquinhas online

Ranking leva em conta apenas as doações abertas em sites autorizados pelo TSE

Geovanna Gravia e Isadora Duarte, especiais para O Estado, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 07h00

SÃO PAULO - Três semanas após o início da arrecadação virtual para as campanhas eleitorais, os pré-candidatos a cargos legislativos ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) lideram as vaquinhas online. A reportagem computou apenas as doações abertas em sites autorizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que alguns não disponibilizam os dados de todos os pré-candidatos no link oficial.

Esta é a primeira vez que a modalidade de financiamento coletivo é utilizada oficialmente nas eleições no Brasil. Dos potenciais candidatos, mais de 840 têm campanhas de financiamento coletivo abertas nos sites autorizados

Pela nova legislação, pré-candidatos a qualquer um dos cargos em disputa poderão arrecadar, mas não gastar os recursos obtidos exclusivamente pela internet até o início da campanha, em 15 de agosto. Se a candidatura não for confirmada, o valor doado deve ser devolvido ao doador.

+ Maior parte dos sites não recebe doação

No topo do ranking de arrecadação está Marcel van Hattem (Novo), pré-candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, com R$ 38,400 (contagem até 6 de junho). Ex-deputado estadual pelo RS, Hattem atribui o bom desempenho na arrecadação ao relacionamento próximo que busca manter com seus eleitores. "Acredito que todas as campanhas deveriam ser feitas com dinheiro limpo e arrecadado pelos próprios candidatos. Essa verba pública, do Fundo Partidário e Eleitoral, é um dinheiro que poderia ser investido em saúde, educação e segurança”, disse.

O pré-candidato é o que tem maior engajamento e interações nas redes sociais entre seus concorrentes gaúchos. Sua meta de arrecadação com doações online é de R$ 200 mil. Na sequência, figura o pré-candidato a deputado estadual Paulo Mathias (PSDB-SP), com R$ 16,700. Ambos são ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL).

+ Entenda como funciona a vaquinha virtual eleitoral

Também apostando na arrecadação virtual, Mathias disse que não usará recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral na disputa de 2018. Sua estratégia será formar até 150 grupos responsáveis por captar doações.

“Não há nada mais forte para o candidato do que receber doação das pessoas. É um gesto que mostra que elas acreditam e investem no candidato. No momento que vivemos, isso é uma confirmação muito clara do apoio”, disse o candidato que espera arrecadar R$ 200 mil com as vaquinhas online. 

+ Financiamento coletivo estimula engajamento eleitoral, dizem especialistas

+ ‘Estadão Notícias’: “Vaquinha virtual” prestes a entrar no jogo eleitoral; Ouça

Análise

O cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Humberto Dantas acredita que o motivo para o sucesso da arrecadação dos pré-candidatos ligados ao MBL, em comparação com os demais, é a capacidade de organização do movimento. “O MBL, gostem as pessoas ou não, é um movimento que tem forte contato com os eleitores. Eles estão mostrando uma capacidade de organização muito interessante”, avalia.

Para Cristiano Vilela, advogado especialista em direito eleitoral, o novo formato é bem-vindo porque dá mais poder aos cidadãos e permite que os partidos arrecadem mais

* O texto foi alterado para deixar claro o critério usado pela reportagem para contabilizar os valores arrecadados por cada pré-candidato pesquisado. É possível, no entanto, que pré-candidatos que utilizem outras plataformas não computadas tenham arrecadado um valor maior que o alcançado pelo primeiro colocado deste ranking. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.