Pré-candidatos em SP cobram cúpula tucana sobre prévias

Para evitar o adiamento da eleição interna, os 4 postulantes se unem e exigem definição de lista de filiados aptos a votar

JULIA DUAILIBI, LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h01

Diante dos sinais de que a cúpula do PSDB quer retardar as prévias para escolher o nome tucano que disputará a Prefeitura de São Paulo em 2012, os quatro pré-candidatos do partido reuniram-se anteontem para traçar uma ação conjunta e exigir da direção uma posição sobre o número de filiados que votará na eleição interna.

No primeiro encontro entre os postulantes, no fim da tarde de domingo, os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli decidiram que, se o partido não se posicionar até quinta-feira, vão encaminhar ao diretório municipal uma proposta sobre o universo de filiados que poderá disputar.

A decisão foi uma resposta ao impasse sobre o colégio eleitoral. Em 2009, o partido promoveu recadastramento e concluiu que existem cerca de 20 mil filiados na capital. Antes da ação, o número registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) era de aproximadamente 40 mil.

O partido deveria ter enviado à Justiça, até a segunda semana de outubro, a nova lista. Mas a cúpula tucana, alegando questões técnicas na transmissão dos dados via internet, não conseguiu mandar o novo cadastro. Continua no tribunal, portanto, a lista pré-recadastramento.

Para os pré-candidatos, a lista de filiados definitiva ajudará a dar largada na campanha, já que terão noção mais clara de quem são e de onde estão os eleitores.

No encontro, na casa de Tripoli, os pré-candidatos ponderaram ser mais seguro levar em consideração a lista que está no TRE para evitar futuros questionamentos jurídicos.

Também disseram que, no recadastramento realizado há dois anos, vários quadros tradicionais do PSDB ficaram de fora. Em razão disso, seria melhor usar a listagem anterior, a que é válida pela Justiça.

"Precisamos definir o colégio eleitoral para começarmos a trabalhar de forma mais objetiva", afirmou Aníbal. Para Matarazzo, o partido precisa ter a segurança de que "ninguém ficará de fora".

O presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, esteve há cerca de duas semanas no TRE para discutir o assunto.

Embora os quatro pré-candidatos defendam a definição do tamanho do colégio eleitoral, como primeiro passo rumo às prévias, eles também debateram qual a melhor data para realizar a disputa. A maioria quer a eleição interna ainda neste ano. Já Bruno Covas, apoiado pelo Palácio dos Bandeirantes, defende 2012.

O Palácio dos Bandeirantes quer retardar a realização das prévias. O governador Geraldo Alckmin já disse a interlocutores que quer deixar "o jogo ser jogado" até o ano que vem para ter uma noção mais clara de como as alianças vão ser fechadas.

Setores do PSDB, como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador José Serra, defendem a aliança com o PSD, do prefeito Gilberto Kassab. Ele propõe indicar a cabeça de chapa na sua sucessão, enquanto os tucanos ficariam com o cargo de vice, em troca do apoio à reeleição de Alckmin em 2014. O governador não descarta o acordo, mas avalia que a disputa interna legitimará qualquer decisão que o partido tomar.

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