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Pré-candidatos de oposição criticam inchaço e loteamento de cargos no governo

Primeiro debate entre postulantes ao Palácio Iguaçu foi voltado para empresários   

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 17h37

Os pré-candidatos ao governo paranaense nas eleições 2018 Ratinho Junior (PSD), Dr. Rosinha (PT) e Osmar Dias (PDT) – todos de oposição – criticaram na manhã desta sexta-feira, 27, a gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB), que deixou o cargo em maio para concorrer ao Senado, e sua sucessora, Cida Borghetti (PP), que vai tentar a reeleição, acusando-os de ter inchado o governo e loteado os cargos com parceiros políticos. Os comentários foram feitos durante debate entre os postulantes ao Palácio Iguaçu organizado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap).

No primeiro embate direto entre os principais pré-candidatos ao governo, Dias criticou o que chamou de "loteamento" de cargos no governo. "Não dá mais para continuar loteando o Estado, dando um pedacinho para cada deputado. Loteamento e nomeação de pessoas sem qualificação técnica e moral vira ineficiência, que é parceira da corrupção. As duas juntas desgraçam o Estado. Eu abomino essa prática política”, afirmou.

O pedetista não poupou nem o empresariado, maior parte do público presente, em seu discurso. “Os mesmos empresários que reclamam do modelo de governo que não deu certo parecem que querem a continuidade”, disse, referindo-se ao apoio de grande parte da classe empresarial a Ratinho Junior, que foi secretário de Richa. O pré-candidato tem na lista de propensos vices dois ex-presidentes de associações empresariais.

Mais ameno em sua fala, Ratinho não deixou de criticar o inchaço da máquina pública, afirmando que o Estado mantém hoje o aluguel de 6 mil imóveis. “Aí não dá conta de pagar e tem que aumentar impostos”, afirmou. Ele prometeu cortar em 50% do número de pastas e acabar com as “regalias” do governo, com a venda de áreas de uso privativo do governador.

“A máquina pública passou a ser tão grande que os impostos não dão mais conta. Esse modelo tem que ser repensado. Deve haver também corte de mordomias, não é possível que o paranaense tenha que manter chácara e ilha para o governador, e uma área de reflorestamento de 36 mil hectares, não é possível que se mantenha esse patrimônio valiosíssimo sem dinheiro para fazer investimento”, discursou.

De outro lado, Cida se defendeu dos ataques, citando que o ajuste fiscal feito pelo governo Richa foi exemplo para todo o Brasil e que só assim o Estado conseguiu manter as contas e os salários do funcionalismo em dia, ao contrário de outras unidades da federação. Segundo ela, houve o corte de R$ 2 bilhões em gastos. A governadora afirmou que ampliou o enxugamento da máquina pública, retirando benefícios de secretários, como carros e celulares.

Aumento de tarifas de energia também vira alvo de políticos

O aumento de tarifas de energia, que neste ano foi de 16%, acima da inflação do período, também foi um dos principais pontos de críticas dos pré-candidatos oposicionistas da atual gestão. “A Copel (Companhia de Energia do Estado) não está cumprindo seu papel de estatal”, citou Dr. Rosinha, alegando que os preços das tarifas foram aumentados pensando apenas no lucro dos acionistas da empresa em desprezo ao desenvolvimento do Paraná. Ratinho citou ainda que a Companhia tem feito mais investimentos em outros Estados que no Paraná.

Osmar denunciou especificamente a ocupação de uma das diretorias da Copel pelo jornalista Deonilso Roldo, conhecido braço-direito do ex-governador Beto Richa, que acabou demitido do cargo por Cida após denúncias de que teria negociado favorecimento da Odebrecht em licitação para duplicação de uma rodovia do Estado. “Não entendo como é possível colocar um jornalista no lugar de um engenheiro nesse cargo”, apontou.

Em contrapartida, a governadora citou que demitiu o jornalista do cargo e defendeu os reajustes nas tarifas de energia. Segundo ela, a oneração em algumas áreas, como de comunicação, é necessária para manter preços menores em outras. “Nesse momento, não há possibilidade de se rever isso sob pena de irresponsabilidade do governo”, afirmou a atual governadora. Ela também exaltou ações de seu governo, como a distribuições de recursos para os municípios do Paraná durante o período em que está à frente do Executivo Estadual. 

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