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Pré-candidato no Rio, Paes anuncia apoio de ex-ministro Calero e negocia com PSDB

Segundo o ex-prefeito, Marcelo Calero ficará encarregado de projetar uma secretaria de 'integridade pública'

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 16h44

RIO - Líder das pesquisas de intenção de voto, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (DEM) anunciou oficialmente nesta quinta-feira, 27, o apoio do então pré-candidato Marcelo Calero (Cidadania), deputado federal e ex-ministro da Cultura. Conhecido por ter denunciado a pressão do ex-ministro Geddel Vieira Lima para o andamento de uma obra quando eram colegas no governo de Michel Temer, Calero ficará encarregado de projetar uma secretaria de “integridade pública”, segundo o ex-prefeito. 

Paes e os aliados trabalham, agora, para buscar outros partidos que já anunciaram pré-candidaturas. Um deles, o PSDB de Paulo Marinho deve se decidir nos próximos dias. O empresário está em São Paulo, onde se reúne nesta quinta com o governador João Doria e outros representantes da legenda. Na terça-feira que vem, eles terão um encontro a sós, a fim de tratar especificamente da eleição carioca. 

Para consolidar esse apoio, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem conversado com o vice-governador paulista, Rodrigo Garcia (DEM). Cotado para concorrer à Presidência em 2022, o governador de São Paulo teria no Rio, com a possível vitória de Paes, um palanque importante contra o bolsonarismo.

Carioca e candidato à Prefeitura contra Paes em 2012, Maia tem tido participação nas articulações pela volta do hoje aliado ao Executivo municipal. Conversa em Brasília, por exemplo, com os presidentes dos partidos. 

Num primeiro momento, a chegada do Cidadania de Calero à aliança de Paes tende a afastar a aproximação que vinha sendo costurada com o PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro. Aliados do ex-prefeito, contudo, dizem que isso ainda não está descartado, já que a estratégia dele não será a nacionalização do pleito, e sim discutir a cidade e a impopular gestão de Marcelo Crivella (Republicanos).

O PSL também é cobiçado por Crivella, que forma uma aliança de partidos de direita e se aproxima há meses do bolsonarismo. O grande atrativo da ex-legenda de Bolsonaro, contudo, é o acesso ao fundo eleitoral, além do amplo tempo de TV.  Foi a legenda que mais recebeu votos para deputado em 2018, o que a colocou na posição de maior detentora desses direitos. Atualmente, o PSL conta com a pré-candidatura do deputado estadual Rodrigo Amorim, mas representantes do partido em Brasília começam a projetar o nome do federal Luiz Lima. 

A coordenação da campanha de Paes estuda, inclusive, um nome de vice que “não represente a polarização”, segundo uma pessoa próxima ao ex-prefeito. Esse candidato seria, portanto, alguém que não desviasse a atenção do debate, seja por representar demais algum campo político ou por aspectos pessoais de sua trajetória. 

Além de Cidadania e PSDB, Paes tem conversas adiantadas com o PV e o Avante, enquanto também tenta convencer a Rede, do ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, e o PL, de Cabo Daciolo. Bandeira foi apresentado como parceiro da deputada estadual Martha Rocha (PDT) para a disputa, mas estaria insatisfeito por perceber que, mesmo sem uma definição prévia de quem encabeçaria a chapa, Martha roubou o protagonismo. Calero tem boa interlocução com a Rede e pode ser um ativo na negociação.

 

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