Bruno Cantarelli/Divulgação
Bruno Cantarelli/Divulgação

Pré-candidato de Bolsonaro quer militarizar escolas em Pernambuco

Coronel aposentado da PM, Luiz Meira, do PRP, ganhou fama de linha dura após ser fotografado dando uma 'gravata' em um estudante 

Kleber Nunes, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2018 | 05h00

PERNAMBUCO – Após mais de 30 anos de tropa, onde adquiriu fama de "linha dura" depois de aplicar uma gravata em um estudante durante um protesto em 2005 no Recife, o coronel aposentado da Polícia Militar de Pernambuco Luiz Meira fará sua primeira campanha majoritária concorrendo ao governo de Pernambuco pelo PRP nas eleições 2018 com o mote "cadeia ou cova para bandidos".

Meira, que tem como mentor o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ), tem como proposta para melhorar a educação e segurança pública no Estado a militarização de escolas em áreas consideradas de risco.

"Com o apoio do governo, teremos guardas municipais fazendo a patrulha escolar e palestras. Também vamos ensinar o Hino Nacional e rever a grade curricular do Estado, quem manda é o governo, por isso, vamos colocar a disciplina de moral e cívica", afirmou o coronel aposentado, que tentou uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 2014, sem sucesso.

Sobre a imagem que lhe rendeu fama, Meira diz que fez seu trabalho. "É uma foto icônica mesmo, mas o fato é que não agredi aquele rapaz, apenas fiz o meu trabalho de imobilizar uma pessoa maior do que eu. Naquele ano, inclusive, não temos o registro de nenhum estudante agredido, nem ele que fez exame (de corpo delito) no IML, ou algum morto, porque nós agimos", disse.

Hoje pré-candidato, o coronel aposentado mantém o tom belicoso no discurso. "Temos que separar o marginalizado, aquele que pratica pequenos furtos ou a mulher que transporta drogas, esses têm que ser ressocializados. O assassino, estuprador ou assaltante de banco tem que ser preso e se atirar na polícia vamos revidar", afirmou ao Estado.

Crítico do Pacto pela Vida, programa de segurança pública instituído em 2007 por Eduardo Campos, Meira diz que o projeto já nasceu condenado ao fracasso. "Foi concebido dentro da universidade por pessoas que não entendem nada do operacional", afirmou. No ano passado, Pernambuco registrou o recorde de 5.427 de assassinatos.

Suas propostas para reduzir os índices de violência de Pernambuco são a equiparação salarial entre policiais civis e militares, a descentralização das ações "tirando da Secretaria de Defesa Social e devolvendo a autonomia aos comandos" e a instituição de um plano de carreira para os agentes de segurança com entrada única e formação mínima de dois anos. Apesar de defender a presença forte do Estado em áreas como segurança, educação e saúde, Meira diz que é defensor da bandeira do Estado mínimo, como Bolsonaro. Ele propõe a redução de secretarias e corte de cargos comissionados e afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos será a construção do "Centro Administrativo de Pernambuco" no entorno da Arena de Pernambuco.

O estádio foi construído para a Copa das Confederações 2013 e Copa do Mundo 2014 e é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de superfaturamento e desvio de dinheiro. O pré-candidato diz que os recursos para viabilizar a construção do centro sairão dos aluguéis de imóveis públicos e da venda do Parque de Exposição de Animais do Cordeiro. A área de 12 hectares na zona oeste da capital é alvo antigo da especulação imobiliária que já envolveu até mesmo a construção de um shopping.

"Com o dinheiro da venda do Parque do Cordeiro vamos colocar todas as secretarias e órgãos do governo na Arena de Pernambuco com hospital para o servidor e escola de referência. O palácio (do Campo das Princesas, atual sede do Poder Executivo) vai servir de museu e local para algumas solenidades. Com essa medida, vamos reduzir os custos, levar desenvolvimento para região oeste e diminuir em 20% o trânsito no Recife", disse.

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