Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PRB acena a Alckmin nas negociações do Centrão

Partido ligado à Igreja Universal tem resistido fechar acordo com Ciro Gomes (PDT); siglas adiam definições

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 21h51

BRASÍLIA - Com o prazo estipulado pelos partidos para definir alianças eleitorais chegando ao fim em 5 de agosto, o bloco do "centrão" adiou mais uma vez a definição de quem vai apoiar na disputa presidencial nas eleições 2018. Um dos pontos de resistência para um acordo em torno do pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes, tem sido o PRB, partido ligado à Igreja Universal. Nos encontros, a sigla tem defendido que o grupo político deve se aliar a Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB. A sigla também tem reivindicado mais "reconhecimento" e "protagonismo" dos partidos maiores, como DEM e PP.

"A bancada do PRB está cansada de ser usada, os partidos maiores querem usar o tempo do partido, a estrutura do partido, mas não querem ter reciprocidade com o partido. Nós já fomos sozinhos (para a eleição) outras vezes, vamos ver se o bloco (centrão) aceita apoiar o Flávio Rocha e aí a gente pode rever essa posição. A maioria (do partido) está se sentindo usada. Todo mundo se fortalece e a gente continua na mesma", afirmou Marcos Pereira, presidente do PRB.

Ainda que nos bastidores os dirigentes do partido reconheçam a possibilidade de largar mão da pré-candidatura de Flávio Rocha (PRB) à Presidência, publicamente procuram enfatizar necessidade de levar o empresário para o pleito. O motivo é um espaço maior para a sigla num eventual governo de centro. "A reciprocidade que falta é que continuemos conversando com o Centrão, mas que tenhamos o espaço devido pelo que representamos. Se não for isso, não há necessidade. A gente segue como estamos fazendo, com candidato à presidência da República. A gente não está pedindo ministério A, B ou C, mas o espaço que temos (no governo Michel Temer) é pouco", afirmou o líder do PRB na Câmara, deputado Celso Russomanno (SP).

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Além das tradicionais legendas do centrão, se juntaram ao grupo político no encontro desta quarta-feira, 11 — realizado na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia — o PR, de Valdemar da Costa Neto, o PHS, representado pelo deputado Marcelo Aro, e o PSC, do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (SE).

Segundo relatos, Valdemar relatou que seu partido continua tendo maioria em favor de Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL, mas contou que há alguns poucos nomes na sigla que mostram certo entusiasmo com o nome de Ciro Gomes.

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Ainda que tenham mais divergências que consensos, o grupo mantém o discurso de "união". "Participaram da reunião sete partidos, esse bloco tem hoje 185 deputados, ou seja, 36% do rádio e televisão. Nos reunimos para decidir e não decidimos. Decidimos continuar conversando. Devemos ter uma nova conversa no próximo sábado em São Paulo. Temos que resolver na semana que vem. Até quarta-feira da próxima semana, esse grupo tem que se reunir de novo para decidir", afirmou o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

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