Rodrigo Nunes/Futura Press - 05.12.2012
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Praia é orientação médica, diz defesa de Carlinhos Cachoeira

Contraventor condenado a quase 40 anos de prisão está em resort na Bahia com a mulher

Wannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2013 | 02h04

BRASÍLIA - Condenado a quase 40 anos de prisão por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, entre outros crimes, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está descansando numa praia paradisíaca do litoral baiano "por recomendações médicas", segundo afirmou ontem o seu advogado, Nabor Bulhões.

Cachoeira, que recorreu da condenação, tem permissão para transitar dentro do território nacional, bastando para isso que comunique o deslocamento à Justiça, o que ele fez.

"Ele está se tratando do quadro depressivo agudo que o acometeu após a longa internação de nove meses (no ano passado no presídio da Papuda, em Brasília) longe do convívio familiar", disse Nabor, segundo quem a "comida péssima" em "local horroroso" agravou o estado de saúde de seu cliente. "Não à toa, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que preferia morrer a ficar num presídio medieval do Brasil", completou, referindo-se a uma recente declaração de Cardozo.

Nabor relatou que dias depois de ser solto, em dezembro, Cachoeira teve uma crise aguda de saúde, precisando ser internado. "No boletim, os médicos diagnosticaram quadro depressivo e debilidade física em razão da má alimentação, reclusão prolongada e privação do convívio familiar. Isso desencadeou um quadro de disfunção biofisiológica e psicológica. Os médicos, inclusive, recomendaram mais tempo de recuperação no hospital, mas ele preferiu voltar para casa."

Casamento. Solto por habeas corpus para que possa recorrer em liberdade, Cachoeira se casou no fim de ano com Andressa Mendonça e viajou em lua de mel para um resort de luxo na praia de Maraú, no litoral baiano. Segundo o advogado, Cachoeira não violou nenhuma norma. "Por ocasião do casamento, os médicos recomendaram que ele buscasse um local tranquilo, preferencialmente uma praia isolada, para se recuperar do terrível suplício na prisão. Ele buscou um local afastado, mas a imprensa o perseguiu. Ele foi descoberto e perdeu a privacidade. Sua vida virou um inferno", disse.

Autorização. Enquanto não houver o trânsito em julgado para a sentença de Cachoeira, ele está proibido de viajar apenas para o exterior. Para viagens em território nacional, precisa apenas de uma declaração em cartório citando o local de destino e o tempo de ausência. Sobre o aparente bem-estar exibido nas fotos em que Cachoeira aparece de pele bronzeada ao lado da jovem mulher, Nabor afirmou ter uma explicação: "Ele está em plena recuperação do trauma, ao lado da mulher e no convívio familiar. Agora o quadro é outro bem diferente daquele de depressão na prisão."

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