Julio Cesar Lima /Estadão
Julio Cesar Lima /Estadão

Praça conhecida por repressão a professores reúne candidatos em clima pacífico

Em Curitiba, debate ao ar livre na Praça Nossa Senhora Salete colocou no mesmo palco concorrentes que estavam em lados opostos no dia da manifestação

Julio Cesar Lima, Curitiba

29 de outubro de 2020 | 20h17

CURITIBA – O clima pacífico do debate entre oito candidatos a prefeito de Curitiba na Praça Nossa Senhora Salete, e tranquilo entre militantes e interessados que assitiam ao evento em nada lembrava o ambiente pesado e a repressão de abril de 2015, quando a PM reprimiu no local uma manifestação de servidores e professores, deixando um saldo de mais de 200 pessoas feridas, a grande maioria professoras. Na ocasião, o então secretário de Segurança do governador Beto Richa, Fernando Francischini (PSL), comandou a ação conhecida como “Massacre” de 29 de abril. Agora candidato a prefeito, ele foi  um dos concorrentes que participaram do evento desta quinta-feira, chamado Palco Aberto.

A candidata Camila Lanes (PCdoB) estava na praça naquele dia e disse “ter apanhado muito”. “Agradeço a ação da Guarda Municipal que evitou que me batessem mais”, declarou. A professora Samara Garratini (PSTU), que também disputa a prefeitura, contou que estava em sala de aula no dia, mas em seguida “foi ao local” e viu a gravidade da situação.

O também candidato, Paulo Opuzska (PT), dava aulas em outro Estado, mas defendeu três policiais militares que se recusaram a cumprir ordens de bater nos professores. Nesta quinta-feira, 29, propôs uma “caminhada pela democracia” na próxima semana com todos candidatos. A exemplo do primeiro encontro, realizado na semana passada em outra praça, Francischini cobrou a presença do prefeito Rafael Greca (DEM) no debate e sua promessa de uma “muralha digital”. “Vamos investir em inteligência na segurança”, disse. 

O encontro na praça durou cerca de uma hora, reuniu pouco mais de cem pessoas, sendo a maioria apoiadores das candidaturas. O desempregado Célio Borba, de 51 anos, foi acompanhar o debate. “No horário eleitoral não há tempo para eles falarem e na praça tem como falar mais e a gente conhecer as propostas. Como morador da periferia, moro no Tatuquara, logo que soube comecei a assistir, quero ver as várias propostas”, disse.

Para ele, a questão das moradias é um dos maiores problemas. “Queria saber mais sobre habitação, até elaborei perguntas sobre os moradores de rua, vejo gente vinda de todos os lugares, o que falta para eles na cidade, muitas vezes não há jeito de ajudar esse povo e estamos virando um polo”, comentou. Não houve, no entanto, interação com a plateia e Borba ficou sem resposta para suas questões.

Também participaram do debate Goura Nataraj (PDT), João Arruda (MDB), o professor Renato Mocellin (PV), Eloy Casagrande (Rede) e Professora Samara Garratini (PSTU). Na última pesquisa Ibope, divulgada no último dia 22, Greca aparecia com 46% das intenções de voto, seguido por Goura (PDT) e Francischini (PSL) com 8%, Christiane Yared (PL) com 5%, João Arruda (MDB) e Carol Arns (Podemos) com 3%.

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