PPS tenta gerir pressão de Aécio e Campos sobre aliança

Enquanto pernambucano espera contar com sigla comandada por Freire, tucano tenta ao menos adiar anúncio de apoio

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2013 | 02h12

Defensor do apoio de seu partido à candidatura ao Planalto do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), reagiu ontem à pressão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que também deseja contar com o apoio da legenda na campanha presidencial de 2014. Embora o PPS tenha bancada pequena - são sete deputados na Câmara - e, consequentemente, pouco tempo de TV, tanto Campos quanto Aécio consideram simbólico atrair o apoio do partido.

"O Aécio pode fazer as articulações que quiser, mas quem decide nossa posição é o PPS. Não somos sublegenda de ninguém", disse Freire ontem ao Estado, durante congresso do partido que se encerrará hoje, em São Paulo.

Aécio tenta reverter a tendência do PPS de apoiar o governador pernambucano. "O apoio ao Campos significa um reencontro de um partido de vertente comunista, o PPS, e outro de vertente socialista, o PSB, que historicamente é um aliado nosso", afirmou Freire.

Se perder o apoio do PPS, Aécio e o PSDB correm o risco de entrarem isolados na campanha, ou coligados apenas ao DEM. A estratégia do senador mineiro para implodir o projeto de Freire foi mobilizar os diretórios do PPS nos oito Estados governados pelos tucanos e de outros regionais mais próximos do PSDB. A ideia é pelo menos adiar o anúncio formal e ganhar tempo. Uma bancada abertamente "aecista", formada por delegados do Rio e de Minas, esteve ontem no congresso. "O PPS é aliado histórico do PSDB desde o começo do lulismo. Por isso sou da bancada aecista", disse o secretário-geral do PPS-RJ, Roberto Percinoto.

Nome próprio. Um terceiro grupo se organizou para defender a tese de que o partido lance a ex-vereadora paulistana Soninha Francine à Presidência em 2014. "Time que não joga não ganha. Soninha pode ser nosso ícone em resposta às manifestações de junho. Não podemos mais ser puxadinho de partidos maiores", afirmou Jorge Ventura, do PPS paranaense.

Ele criticou em discurso a espera da sigla pela entrada do ex-governador paulista José Serra, que coigtou deixar o PSDB e disputar a Presidência pela sigla de Freire. "O PPS esperou de forma lúdica a vinda do Serra e depois,de forma infantil, correu atrás de Marina (Silva)". Roberto Freire descartou a hipótese de uma candidatura própria. "O PPS não tem estrutura para lançar um nome competitivo. O partido precisa se juntar em bloco para derrotar o petismo."

Ainda segundo o dirigente, o apoio a candidatura a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo já está definido. "O PPS trabalha pela unidade do PSB com o PSDB em São Paulo", disse Freire. Integrante da Rede, partido informal que opera dentro do PSB, o vereador paulistano Ricardo Young defende que o PPS e o PSB lancem juntos uma candidatura própria em São Paulo.

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