PPPs salvam Afif de hostilidade tucana

Para furar boicote de secretários de Alckmin, ex-ministro retoma, durante passagem pelo Bandeirantes, projeto do qual foi responsável

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h07

O governador paulista em exercício, Guilherme Afif Domingos (PSD), resgatou uma de suas bandeiras como vice-governador, as Parcerias Público-Privadas (PPP), para tentar furar o embargo feito por tucanos à sua atuação no comando do Palácio dos Bandeirantes. Incomodados com a ida de Afif para um ministério de Dilma Rousseff, integrantes do governo estadual tentaram esvaziar a sua gestão como governador em exercício.

Apesar de legalmente no comando do Estado, sua agenda não foi divulgada pela comunicação do palácio, assim como o site do governo não informou que o vice era o governador em exercício em texto sobre a viagem de Geraldo Alckmin (PSDB), que participa em Paris de evento sobre a candidatura de São Paulo para sediar a Expo 2020.

Tucanos ligados a Alckmin criticam o fato de Afif não ter renunciado à vice-governadoria para se tornar ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, em maio. O secretário de Energia, José Aníbal, por exemplo, pediu licença do cargo até a volta de Alckmin. "Nessa altura da vida, esse cidadão poderia ter dado uma contribuição aos bons costumes da política", declarou Aníbal.

Afif acumulou o cargo de vice com o de ministro até sexta-feira, quando foi exonerado da secretaria para poder assumir o Estado. Tanto a legislação federal quanto a estadual proíbem que o chefe de Estado acumule cargos. Como a ausência de Alckmin o colocava no comando do Estado, Afif teve de pedir demissão da secretaria para evitar questionamentos jurídicos.

No final da semana, quando Alckmin volta de viagem, Dilma vai nomeá-lo ministro pela segunda vez em um mês - Afif voltará, então, a acumular o cargo de vice com o de ministro.

Agenda. Antes de assumir o Palácio dos Bandeirantes, no final da tarde de domingo, Afif encontrou-se Alckmin e perguntou ao tucano qual a orientação para os quatro dias em que comandará o Estado. Recebeu como resposta que poderia fazer um "check-list" das PPPs, assunto que era da sua alçada antes de se tornar ministro - o vice deixou a presidência do Conselho Gestor do Programa Estadual de PPPs ao assumir o cargo no governo federal.

Ontem, Afif convocou uma reunião com quatro secretários do núcleo duro do governo e o procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos, para tratar da PPP da linha 6 do Metrô. Recebeu ainda parlamentares do seu partido e manteve-se discreto em seu gabinete, abaixo do de Alckmin, onde almoçou.

A relação entre Alckmin e Afif se deteriorou em 2011, quando o vice abandonou o DEM, aliado do tucano, para ingressar no PSD, partido criado pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, desafeto do governador e potencial adversário do PSDB na eleição de 2014. Como retaliação, Afif foi demitido da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Hoje, o deputado estadual Cauê Macris (PSDB) apresenta à Assembleia parecer sobre o pedido de perda do mandato de Afif, feito por Carlos Giannazi (PSOL).

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