PP indicará deputado para lugar de Negromonte em ministério

Líder da sigla na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), ganhou força no partido para substituir o atual ministro das Cidades

CHRISTIANE SAMARCO, JOÃO DOMINGOS, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h05

Apesar da preferência pessoal da presidente Dilma Rousseff pela volta do ex-ministro Márcio Fortes ao comando do Ministério das Cidades, esta opção já está praticamente descartada. O líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), deverá suceder Mário Negromonte no ministério, caso se desenrole de processos judicial já identificado pelo Palácio do Planalto.

Negromonte aguarda apenas a volta da presidente da viagem oficial a Cuba e ao Haiti, para tomar a iniciativa de entregar o cargo. Ele nem participou ontem de uma reunião na Casa Civil destinada a analisar prevenções para os desastres naturais.

Sua agenda anunciava que ele iria, porque é um dos integrantes efetivos do grupo, também composto pelos ministros Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento).

Problemas. Aguinaldo Ribeiro responde a processo na Justiça Federal por improbidade administrativa. De acordo com o Ministério Público, quando Aguinaldo era secretário da Agricultura da Paraíba (entre 1998 e 2002), num convênio com o Ministério da Agricultura para o combate à febre aftosa na Paraíba, ele comprou equipamentos que não dizem respeito à doença, como medicamentos médico-hospitalares.

O deputado, no entanto, argumenta que o convênio foi cumprido integralmente e que a ocorrência do surto de febre aftosa era emergencial, o que justificava a falta de licitação, e que não houve dolo ou má-fé na sua conduta. Além disso, disse que seguiu a orientação da assessoria jurídica da Secretaria da Agricultura. Os argumentos convenceram o Tribunal Regional Federal (TRF) da 5.ª região. Ainda cabe do MP nesse processo.

Na volta. Antes de deixar Salvador, na segunda-feira, rumo a Havana, a presidente Dilma Rousseff determinou que aguardassem sua volta para tratar do assunto. E ontem, ao conceder uma entrevista coletiva na capital cubana, Dilma anunciou que trataria do caso do ministro Negromonte quando retornasse ao Brasil.

Ela chegou a citar a quinta-feira como o dia em que resolveria a questão. Repetiu o mesmo gesto da véspera da demissão de Carlos Lupi do Ministério do Trabalho. Em viagem a Caracas, na Venezuela, perguntada sobre a situação de Lupi, disse que problemas do Brasil resolveria no Brasil.

Troca. De acordo com um interlocutor presidencial, o Palácio do Planalto já se convenceu de que trazer de volta um ex-ministro - como Márcio Fortes - não é boa ideia, por várias razões. Até porque parece falta de alternativa. Afinal, a troca obrigaria a presidente a escolher outro nome para substituir Fortes na função de Autoridade Pública Olímpica (APO). Sem falar que haveria uma briga entre os aliados pela ocupação do posto.

O líder é visto como o melhor representante da bancada da Câmara, onde conta com o apoio de 30 dos 39 deputados da bancada. Além disso, Aguinaldo tem a simpatia da bancada de cinco senadores do PP no Senado, em que se inclui o presidente nacional do partido e senador Francisco Dornelles (RJ).

"Existe um consenso no Senado de que o nome do ministro deve sair da Câmara", diz o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Embora seja muito ligado a Aguinaldo, Ciro tem a cautela de não interferir na escolha. "Os senadores veem com muito bons olhos a indicação de qualquer nome do grupo do líder", completa.

Embora os pepistas digam que partiu da presidente, e não da legenda, a iniciativa de trocar o ministro, o fato é que Negromonte perdeu sustentação na bancada desde que se envolveu na disputa pela liderança e saiu derrotado pelos próprio pares. Foi esta briga que acabou cacifando Aguinaldo junto ao Planalto. / COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO e LISANDRA PARAGUASSU

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