Filipe Strazzer
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PP gaúcho retira candidatura de Heinze e define apoio ao PSDB

Decisão se dá após oficialização de Ana Améla à chapa de Alckmin como vice

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2018 | 16h24

PORTO ALEGRE – Em convenção realizada neste sábado, 4, o PP do Rio Grande do Sul retirou a pré-candidatura de Luis Carlos Heinze (PP) ao governo gaúcho. No evento, Heinze foi oficialmente anunciado como candidato ao Senado na vaga que pertencia à senadora Ana Amélia (PP), que decidiu concorrer a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). O PP também confirmou o apoio ao tucano Eduardo Leite ao Palácio Piratini.

“Foi uma decisão difícil, me dói muito abandonar a candidatura ao governo. Infelizmente as coisas não são como a gente quer”, afirmou Heinze na convenção. No evento, Heinze foi chamado de “grande líder”, sendo bastante aplaudido por militantes que lotaram o teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa. O candidato chegou após mais de três horas do início do encontro.

Antes de aceitar a indicação Heinze relutou em deixar a pré-candidatura ao governo gaúcho. Deputado federal em quinto mandato, ele acertou sua candidatura ao Senado somente na manhã do sábado, após mais de seis horas de uma reunião que passou pela madrugada. Na convenção, Heinze afirmou que propôs que o PP não se coligasse com outras siglas no Estado, deixando o partido sem alianças formais ao Senado e para as proporcionais. Ele, porém, voltou atrás ao ser convencido por deputados e familiares. “Diminuiria as nossas chances de fazer bancada”, afirmou.

Além do PSDB, a cúpula do PP também foi procurada pelo MDB do governador José Ivo Sartori. A decisão dos gaúchos, no entanto, segue a aliança nacional entre PP e PSDB.

Com a escolha, Heinze garante também o financiamento integral de sua campanha ao Senado, o que não aconteceria caso concorresse ao governo do Estado. Em resolução, o PP nacional decidiu “punir” deputados que não votaram conforme orientação da sigla. Heinze teria desconto de 70% na verba por votar contra a criação do fundo eleitoral e pelo prosseguimento de duas denúncias contra o presidente Michel Temer (MDB). 

“Tínhamos a esperança que nosso partido pudesse nos dar os recursos do fundo partidário que temos direito. Somos seis deputados federais (do PP gaúcho) e contribuímos. Mas, infelizmente, cortaram a verba de alguns parlamentares”, criticou Heinze.

O presidente estadual do PP, Celso Bernardi, elogiou Heinze e sua disposição de agir “pelo partido”. “Quando tem que abrir mão, fazer um acordo coletivo em favor do partido, ele faz muito mais. Heinze, você é o primeiro chamado a estar no lugar quando a tarefa é difícil e quando as decisões são duras e complicadas”, afirmou Bernardi na convenção.

Heinze e Bernardi também elogiaram Ana Amélia, que não compareceu por estar na convenção do PSDB, em Brasília. O candidato afirmou que ela “tem capacidade para o cargo e deu um equilibrio à chapa do Alckmin”. Já o presidente da sigla desejou boa sorte e agradeceu Ana Amélia. “O partido está aqui para aplaudir, agradecer e desejar boa sorte, para que ela possa fazer as mudanças e reerguer a confiança dos brasileiros”, afirmou Bernardi.

No final do evento, o pré-candidato do PSDB, Eduardo Leite, chegou para fechar a convenção. Leite agradeceu o apoio do PP e prometeu incluir as pautas do partido em seu programa de governo. “Estamos juntos em muitos municípios e nunca foi segredo que sempre quisemos estar juntos nessa eleição. Nós respeitávamos a decisão do deputado mas as circunstâncias mudaram nos útimos dias”, disse Leite.

Com esse movimento, Leite ganha apoio de um dos principais partidos do Estado. O PP comanda 142 prefeituras e tem sete deputados estaduais. Concorrendo ao governo pela primeira vez, o tucano também ganhará importantes minutos de tempo de TV. Já o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) perde seu principal apoio no Rio Grande do Sul. A antiga coligação de Heinze (PP, PSL, DEM e PROS) havia declarado palanque ao candidato.

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