PP de Maluf desiste de Padilha e anuncia apoio a Skaf em SP

Acordo de última hora dá o maior tempo de TV a peemedebista; temendo perder mais aliados, petista anuncia vice do PC do B

Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 22h34

São Paulo - Um mês após anunciar em um ato público em São Paulo que apoiaria o candidato do PT ao governo do Estado, Alexandre Padilha, o PP mudou de rumo no último dia de prazo para definição de alianças e fechou acordo nesta segunda-feira, 30, com o candidato do PMDB, Paulo Skaf.

Com aval do ex-prefeito Paulo Maluf, presidente estadual do partido, a executiva do PP aprovou por maioria absoluta o desembarque da campanha do petista, apadrinhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, Skaf agregará mais 1 minuto ao seu tempo de TV na propaganda eleitoral e deve ser o candidato com maior exposição.

Segundo levantamento do Estadão Dados, o PP elevou o tempo de TV de Skaf para 5min37s em cada bloco de 20 minutos. Candidato a reeleição, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) contará com 5min17s e Alexandre Padilha (PT), 4min10s.

A direção do PP justificou o desembarque ao PT dizendo que, com Skaf, o partido teria chances de eleger uma bancada maior de deputados federais – critério para definição do tempo de propaganda eleitoral e dos repasses do fundo partidário. Os candidatos a deputado teriam pressionando os dirigentes a abandonar o PT, com receio de perderem a eleição. A coligação do PP com o PMDB será feita tanto na chapa majoritária como na proporcional – para candidatos a deputado federal e estadual.

Essa expectativa se explica pelas posições de Skaf e Padilha nas pesquisas de intenção de voto. Segundo o mais recente levantamento Datafolha, divulgado no mês passado, o peemedebista está em segundo lugar, com 21% das intenções de voto. O primeiro colocado foi Alckmin, com 44%. Padilha apareceu em terceiro, com 3%. 

Sem foto. A mudança de rumos do PP ocorreu mesmo após seu principal líder em São Paulo, o deputado e ex-prefeito Paulo Maluf, posar para fotos com Padilha e outros dirigentes da legenda, como havia feito em 2012 com Lula e o então candidato a prefeito Fernando Haddad (PT).

Com o novo aliado, porém, o rito não deve se repetir. “Maluf não pediu para tirar foto nenhuma comigo”, afirmou Skaf. Segundo o candidato, o ex-prefeito tampouco aparecerá no espaço reservado à campanha majoritária do PMDB na propaganda eleitoral de TV.

Em 2012, a foto que reuniu Maluf, Lula e Haddad foi feita na mansão do ex-prefeito, nos Jardins. A imagem provocou uma crise interna na coligação petista e levou a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) a desistir de ser candidata a vice na chapa de Haddad. Questionado sobre qual espaço terá Maluf em seu palanque, Skaf respondeu que não pretende “fulanizar” o debate sobre a adesão do PP. 

O candidato do PMDB garante que foi pego de surpresa com a decisão do PP de apoiá-lo. “Fui surpreendido. Ouvi falar hoje que existia essa conversa, mas não estava acreditando nessa possibilidade”, disse Skaf. 

O candidato afirma que também foi surpreendido no fim da semana passada com o apoio do PSD. O partido, que é presidido pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, estava próximo de apoiar a campanha à reeleição do governador Geraldo Alckmin, mas desistiu. 

PMDB, PP e PSD integram a base aliada de Dilma Rousseff. Vice do PC do B. Com a saída do PP da coligação de Padilha, o PT concentrou seus esforços para impedir outra defecção. Assim como o PP, o PC do B se queixava da relação com os petistas.

Apesar de ser aliada histórica do PT, a sigla passou a exigir uma vaga na chapa majoritária para apoiar Padilha – de preferência, o cargo de vice. “Nós temos interesse em participar da chapa majoritária (do PT). O critério para fechar a aliança é esse”, dizia o vereador Orlando Silva, presidente estadual do PC do B. 

O pedido acabou aceito e o partido indicou o sindicalista e ex-deputado estadual Nivaldo Santana. Na noite de segunda, o PT confirmou a indicação em nota oficial. Padilha pretende realizar um evento nesta terça.

Além do PC do B, o PT manteve na coligação o PR, que já havia indicado o primeiro suplente do senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição para o quarto mandato consecutivo no Congresso Nacional.

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