Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

Potencial de transferência de votos de Lula para Haddad aumenta, diz Ibope

Parcela dos que votariam 'com certeza' no ex-prefeito sobe 9 pontos na comparação com levantamento anterior

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 05h00

O potencial de transferência de votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Fernando Haddad (PT) aumentou nas duas últimas semanas, segundo a série de pesquisas Ibope/Estado/TV Globo nas eleições 2018.

O instituto perguntou aos entrevistados se, com Lula fora da disputa e declarando apoio ao ex-prefeito de São Paulo, eles com certeza votariam, poderiam votar ou não votariam de jeito nenhum em Haddad.

A parcela que, nessa hipótese, votaria “com certeza” no ex-prefeito subiu nove pontos porcentuais, de 13% para 22%, desde 20 de agosto, quanto o Ibope fez pela primeira vez essa pergunta. E os que “poderiam votar” passaram de 14% para 17%. Os porcentuais se referem ao universo total de entrevistados, não apenas aos que simpatizam com Lula.

Os que não votariam em Haddad apoiado por Lula em nenhuma hipótese ainda são a maioria absoluta do eleitorado, mas essa parcela caiu de 60% para 53% em duas semanas.

Potencial de crescimento de Haddad é maior no Nordeste

Em termos geográficos, o local com maior potencial de crescimento para Haddad é o Nordeste: lá, cerca de um terço do eleitorado declara intenção de votar nele “com certeza” quando é citado como o candidato de Lula.

Se essa transferência de votos se concretizar, os adversários que mais terão a perder serão Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Seis em cada dez eleitores de Ciro admitem seguir a orientação de Lula e votar em Haddad . No caso de Marina, metade de seu apoio poderia migrar para o petista.

Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) a chance de migração para o petista é mínima: 85% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum.

O Ibope fez a pergunta sobre a potencial de Haddad com o apoio de Lula porque, desde o início oficial da campanha eleitoral, as chances de o ex-presidente poder de fato se candidatar eram nulas.  A lei da Ficha Limpa impede que condenados em segunda instância – caso do petista – concorram a cargos públicos. Lula está preso por corrupção e lavagem de dinheiro desde 7 de abril.

De fato, o Tribunal Superior Eleitoral acabou indeferindo o registro da candidatura na madrugada do último sábado. O PT ganhou o prazo de 10 dias para anunciar o substituto - que deve ser Haddad.

O ex-prefeito de São Paulo é ainda muito desconhecido. Na pesquisa Ibope divulgada na noite desta quarta-feira, ele teve apenas 6% das intenções de voto. Ou seja, se houve alguma transferência de votos de Lula para ele, ela é muito menor que o potencial revelado pela mesma pesquisa.

Como Lula deixou oficialmente de ser candidato, o Ibope não incluiu no levantamento um cenário com o nome dele. Mas o ex-presidente voltou a aparecer na pesquisa espontânea - aquela em que os eleitores manifestam sua opção antes de receber uma lista com os nomes dos candidatos.

Nesse caso, Lula ficou com 22%. Ele perdeu seis pontos porcentuais em relação ao Ibope anterior, de 20 de agosto, mas ainda ficou à frente de Jair Bolsonaro (PSL), que teve 17%. Na pesquisa estimulada, Bolsonaro apareceu como líder, com 22%, seguido de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), ambos com 12%.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores, em 142 municípios, entre os dias 1o. e 3 de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐05003/2018. Os contratantes foram o Estado e a TV Globo.

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