POST COM RATO E RENAN ACABA EM DEMISSÕES

Estagiárias criticam senador com foto de bicho morto

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h07

Um rato morto, uma foto e um post no Facebook com uma crítica ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Embora tenha dito, em nota divulgada ontem, que acha "lícita e saudável, principalmente entre os jovens", a manifestação na internet, Calheiros mandou demitir as duas estagiárias que publicaram o conteúdo, uma delas sobrinha do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.

O episódio que levou à demissão das duas jovens aconteceu no dia 6, antes do recesso de carnaval. As estudantes estagiavam no Serviço de Administração da Secretaria de Recursos Humanos do Senado, que funciona no prédio da gráfica da Casa.

O rato quebrou a rotina daquela manhã e acabou morto por uma copeira que bateu nele com um calendário de papelão. Enquanto esperavam que o animal fosse retirado de lá, as jovens decidiram fotografá-lo. A colega da sobrinha de Barbosa postou a imagem em sua página no Facebook com a seguinte legenda: "E a gente que achou que o único problema aqui fosse o Renan Calheiros". A sobrinha de Barbosa, Ariadna Barbosa Gomes Oliveira, também publicou a foto com comentário semelhante.

Após a demissão, as jovens apagaram seus comentários da rede - a sobrinha de Barbosa chegou a encerrar a sua conta no Facebook; ela afirmou estar proibida de dar entrevistas. As fotos, porém, já haviam sido replicadas.

A demissão das estagiárias repercutiu entre funcionários da Casa. Servidores que haviam compartilhado críticas, abaixo-assinados ou qualquer outro comentário sobre a eleição do presidente do Senado se apressaram em apagar qualquer vestígio das publicações.

Alvo de uma petição defendendo seu impeachment na internet com mais de 1,5 milhão de assinaturas, Renan, por meio da assessoria, negou que fosse retaliação e que tivesse sido consultado sobre o caso. No dia 26 do mês passado, o STF recebeu uma denúncia contra Calheiros, na qual o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusa o presidente do Senado de usar notas frias para comprovar sua renda. O pedido de investigação será relatado pelo ministro Ricardo Lewandowski.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do Senado explicou que a demissão ocorreu devido a um ato de indisciplina, classificando o conteúdo do post como ofensivo. "Conforme definido na Lei nº 11.788/2008, o estágio é ato educativo, desenvolvido no ambiente de trabalho, destinado à preparação do educando para o trabalho produtivo. Nesse contexto, a Administração, ao tomar conhecimento de um ato de indisciplina, tem o dever de agir de acordo com as normas vigentes e em cumprimento ao Termo de Compromisso assinado pelas estagiárias".

A assessoria ressaltou ainda que o fato ocorreu em horário de expediente e que as jovens se utilizaram de instrumentos de trabalho.

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