'Posso ter conversado com o dono da Intech. Não vou dizer que não'

Ex-servidor da Pesca, responsável pela compra das lanchas, diz que conversou com muita gente durante a eleição

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2012 | 03h06

Sem ter o nome mencionado na auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-secretário de Planejamento do Ministério da Pesca Karim Bacha foi o mentor da polêmica frota de lanchas-patrulha. Foi ele também quem pediu ao dono da Intech Boating, José Antônio Galízio Neto, a doação de R$ 150 mil para o diretório PT de Santa Catarina na eleição de 2010, quando a ministra Ideli Salvatti foi candidata ao governo do Estado. Ele diz que militou na campanha de Ideli e defende a ministra: "Ela seria uma excelente governadora para Santa Catarina".

Como o sr. justifica a necessidade das lanchas se parte delas está sem uso até hoje?

Identificamos que a fiscalização da pesca ilegal era extremamente deficiente. E o que estava acontecendo? Nós temos uma região importante, Santa Catarina, que é o maior produtor de pescado de captura, sendo acompanhada de perto pelo Pará. A implantação de uma frota foi pensada para criar essa política. Encomendamos cinco lanchas inicialmente, e Santa Catarina recebeu a primeira lancha, até pelo adiantado das negociações. O Pará recebeu o equipamento, mas houve um problema lá de gestão. A minha participação se deu na identificação da necessidade, na demanda, na proposta desse programa.

Se as lanchas eram tão necessárias, por que ficaram mais de um ano paradas?

A política de fiscalização estava desenhada para busca de parceiros. O Ibama, a Polícia Federal.

O dono da Intech Boating afirmou que o pedido de doação eleitoral para o PT partiu do próprio Ministério da Pesca. Foi o sr. quem pediu?

Nós, durante o processo eleitoral, acabamos conversando com muitas pessoas. Eu posso ter conversado com o Neto (José Antônio Galízio Neto, dono da Intech Boating) também. Não vou dizer que não. Como está registrado, o Neto fez uma doação para o partido.

O pedido de contribuição se dava como? Era uma conversa trivial?

Não estamos falando de servidores da Pesca serem agentes para captar recursos para o PT. Boa parte dos servidores da Pesca era vinculada ao PT, outros não, e nunca houve uma determinação que obrigasse servidores a captar recursos.

Mas o sr. conversou com os empresários.

Conversei com algumas pessoas, inclusive com o Neto também. Ele tem um perfil muito parecido com o do governo. Isso é bom.

O sr. participou da campanha da ministra Ideli Salvatti?

Olha, eu ajudei sim, na condição de militante do PT. É o seguinte: entendo que a ministra Ideli seria uma excelente governadora para Santa Catarina, principalmente para a área da Pesca. / M.S.

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