Cesar Lopes / Estadão
Secretário Rodrigo Tortoriello defende parcerias Cesar Lopes / Estadão

Porto Alegre usa apps para mobilidade

Parceria com o aplicativo Waze permite medir ganho de tempo nas faixas exclusivas de ônibus e ver o reflexo nas faixas remanescentes do automóvel

Samuel Lima, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

Desde outubro de 2019, a Avenida Independência, no centro histórico de Porto Alegre (RS), tem uma faixa exclusiva para o transporte público que já ampliou em 17,5% a velocidade média dos ônibus. Alcançado em dias úteis, o resultado é consequência do uso da tecnologia e de ações desenvolvidas em parceria com a iniciativa privada.

Enquanto os GPSs dos ônibus medem o tempo ganho pelos passageiros, o aplicativo Waze mostra que os carros demoram mais para concluir um trecho de 1,1 quilômetro – neste caso, a velocidade caiu 2,5%. A parceria, sem custo para a prefeitura, é que permite essa comparação. “Conseguimos medir o ganho de tempo nas faixas exclusivas e ver o reflexo nas faixas remanescentes do automóvel. Ainda que essas análises tenham ficado prejudicadas por causa da pandemia”, disse o secretário de Mobilidade Urbana, Rodrigo Tortoriello.

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Além de Porto Alegre, o aplicativo Waze for Cities é utilizado em cerca de outras 130 cidades brasileiras. “Além de um aplicativo de navegação, nós somos uma comunidade de motoristas. Toda vez que se está usando, você tem a opção de reportar um carro quebrado, um buraco na via. Percebemos que isso tinha um grande valor para as cidades”, afirmou o responsável da empresa por parcerias na América Latina, Douglas Tokuno.

Fluidez

Porto Alegre também opera há quase um ano uma ferramenta do aplicativo 99 para otimizar os semáforos. A empresa fornece dados em tempo real dos motoristas e gera um “mapa de fluidez”, de forma gratuita, que permite estimar a velocidade média de aproximação dos cruzamentos e o tamanho das filas. Em março, Porto Alegre começou a testar a primeira programação semafórica sugerida pela 99 em cinco cruzamentos. 

“Quando conseguimos oferecer uma plataforma para o poder público que gere mais informações e ajude a cidade a ficar mais fluida e eficiente, isso é bom para o nosso usuário, que gasta menos tempo e menos recurso no transporte, e para todo o ecossistema da cidade”, afirmou o especialista em Políticas Públicas do aplicativo 99, Rodrigo Ferreira.

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Tecnologia e sociedade fomentam políticas de sucesso

Sem custos extras, projetos de alcance local em diversas áreas proporcionam melhorias à população

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

Até o dia 15 de novembro, data do primeiro turno das eleições municipais deste ano, candidatos e candidatas a comandar prefeituras em todo o Brasil vão apresentar propostas e fazer promessas das mais variadas para atrair o voto do eleitor. Mas nem toda política de sucesso precisa ser inovadora ou dispendiosa para proporcionar melhorias à população. A partir desta terça-feira, 22, o Estadão inicia uma série de reportagens para mostrar que boas práticas de gestão podem ser executadas com pouco ou até nenhum recurso.

Com projetos selecionados pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que capacita líderes políticos, as três ações a seguir foram desenvolvidas a partir de alguma parceria, seja com a sociedade civil ou a com a iniciativa privada. E obtiveram bons resultados a curto e a médio prazos.

A destinação de uma faixa de tráfego exclusiva para o transporte público ao longo da Avenida Independência, no centro de Porto Alegre, fez os passageiros que utilizam a via ganhar tempo na ida ao trabalho e ainda tornou o serviço do motorista de ônibus Anderson Fuhr Souza, de 34 anos, um pouco menos estressante.

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Ele afirmou que a medida facilitou a fluidez do coletivo em um trecho “truncado” da cidade. “Como o trânsito flui, não fica naquele para e arranca, a parte física não é tão agredida e ainda fico mais descansado. No cumprimento das tabelas horárias, isso também ajuda”, disse ele.

A definição de prioridades claras de gestão é outro fator essencial para se alcançar a meta almejada, mesmo que de forma local. Muitas vezes, medidas regionais tendem a gerar mais resultados. Confira.

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Juiz de fora tem os ‘classificados’ para voluntários

Projeto da prefeitura une quem precisa de ajuda e quem quer ajudar; serviço é de execução simples e não gera mais gastos, diz pasta

Samuel Lima, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

A advogada Júlia Dornelas, de 30 anos, tinha alguns horários livres que pensava dedicar ao serviço voluntário. Ao pesquisar na internet, encontrou uma lista que mais parecia anúncio de emprego: com nome da instituição, vaga, endereço e contato. E foi assim que a Fundação Maria Mãe, localizada no bairro Ladeira, em Juiz de Fora (MG), passou a contar com o tempo de Júlia para preparar o café da manhã e o banho de aproximadamente 120 pessoas em situação de rua atendidas diariamente pela entidade.

O que uniu a advogada e a Maria Mãe foi o projeto Classificados do Bem, da Secretaria de Comunicação Pública de Juiz de Fora. Criada em dezembro de 2017, a iniciativa ocorre uma vez por mês, quando são divulgadas as “oportunidades” de serviço entre as mais de 50 instituições cadastradas no Conselho de Assistência Social da prefeitura. Em apenas dois anos, o projeto ajudou a preencher 310 vagas de trabalho voluntário, segundo levantamento do município.

De execução simples – proporcionada pela própria estrutura da prefeitura, ou seja, sem a criação de gastos extras –, o projeto surgiu como consequência de um programa lançado quatro anos antes, o Bem Comum, que promove campanhas de doações e outros eventos solidários na cidade. Nesse período, a secretaria se deparou com pessoas que diziam ter interesse em participar, mas que não tinham condições de doar materiais com frequência. 

“Elas queriam doar o tempo, a habilidade que tinham”, disse o ex-secretário de Comunicação Michael Guedes, responsável pela implementação dos “classificados”. “Percebemos que esse tempo poderia ter um valor muito grande para quem precisava.”

Divulgação

Entre os profissionais que atendem aos classificados estão psicólogos, fisioterapeutas, dentistas, advogados, chefes de cozinha, jardineiros, entre outros. Geralmente, cada edição apresenta entre 30 e 40 vagas, anunciadas nas redes sociais, no site da prefeitura e em jornais, rádios, sites e canais de TV locais.

“Para a instituição, acho que é uma promoção boa. Eu vejo, muitas vezes, as pessoas querendo ajudar e não sabendo qual local procurar”, afirmou a presidente da Fundação Maria Mãe, Vanessa Farnezi. A entidade chegou a ter cerca de 50 voluntários regularmente. Hoje, são em torno de 15, em função da pandemia do novo coronavírus

Os assistidos pela fundação recebem café da manhã, tomam banho, cortam o cabelo e trocam de roupa no local. Também têm acesso a atendimento psicológico, odontológico, ao serviço social e podem participar de atividades para reinserção no mercado de trabalho e geração de renda. Júlia ajuda a vestir e a alimentar os atendidos pela entidade, selecionando as roupas de acordo com as necessidades das pessoas e oferecendo o café pela manhã.

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Apesar de não se tratar de um serviço diretamente municipal, a assistência prestada pela fundação recebe uma ajuda de custo do município, no valor de R$ 13 mil por mês. Ampliar a oferta de serviço voluntário nas entidades parceiras é, portanto, também uma forma de tentar reduzir os investimentos que precisam ser feitos pela prefeitura na área da assistência social. 

Para o ex-secretário Michael Guedes, o principal mérito da iniciativa é o de mostrar para a sociedade um problema que ela própria é capaz de ajudar a resolver, sem custos para o município. “É uma forma de conseguir uma mobilização muito interessante, que pode atender a uma necessidade tanto quanto a uma política de saúde, de educação ou uma obra, por exemplo.”

Por outro lado, Guedes disse acreditar que esse tipo de iniciativa depende de um trabalho permanente de aproximação com a sociedade e da transparência dos municípios para dar resultado. Ele lembrou que, antes de lançar os “classificados”, a secretaria já tinha a experiência de quatro anos promovendo campanhas do Bem Comum e investiu em canais próprios de divulgação. 

“O desejo era de que fosse encarado como um programa da sociedade, e não uma programa ‘chapa-branca’. Justamente para estabelecer esse elo de credibilidade entre todos os atores envolvidos”, afirmou o ex-secretário. 

E foi assim que também o Educandário Carlos Chagas, criado em 1932, conseguiu atrair mais pessoas interessadas em ajudar. A instituição acolhe 25 crianças e adultos com deficiência ou transtorno mental e mantém um programa de habilitação e reabilitação social para a comunidade, composto por oficinas e outras atividades de inclusão. 

Visibilidade

“Por ser uma instituição filantrópica, não se tem recurso para contratar todos os funcionários de que a gente realmente precisa”, afirmou a assistente social Ana Eliza Itaborahy. Para ela, os Classificados do Bem deram mais visibilidade à instituição e trouxeram pessoas mais comprometidas. “Sempre que tem a necessidade, a gente joga lá.” A principal contribuição tem sido alcançada em atividades como artesanato, dança e jogos. 

“Faz muito bem conviver com eles (as crianças e os jovens assistidos pelo projeto). Quem vem trabalhar conosco se apaixona e recebe um bem ainda maior”, afirmou Ana Eliza, ao citar o caso de um voluntário que conseguiu superar a depressão a partir desse contato. Depois de 17 meses como voluntária na Fundação Maria Mãe, a advogada Júlia Dornelas concorda: “É transformadora a experiência.”

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Jundiaí cria ‘comitê de crianças’ 

Grupo de crianças de 8 a 11 anos se reúne uma vez por mês para discutir como melhorar a cidade

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

Política é, sim, coisa de criança. Essa é a filosofia de um projeto em execução desde 2017 no município de Jundiaí, em São Paulo, que integra sociedade e poder público, colocando a criança como foco na definição de políticas públicas. O projeto Criança na Cidade permitiu avanços que vão do aumento de áreas verdes e espaços públicos para lazer até a reforma de calçadas e melhorias de sinalização no entorno de escolas e creches.

A adoção das medidas passa pelo Comitê das Crianças, órgão formado por 28 integrantes de 8 a 11 anos que se reúne uma vez por mês para discutir como melhorar a cidade. Por causa da pandemia da covid-19, neste ano as reuniões ocorreram por videoconferência.

A diretora de Urbanismo do município, Sylvia Angelini, lidera a iniciativa. Arquiteta por formação e servidora pública desde 2004, ela afirmou que um dos principais resultados do projeto foi a definição de um capítulo no Plano Diretor de Jundiaí destinado às crianças. Avanço obtido, segundo ela, por meio do diálogo.

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As diretrizes orientam a criação de rotas seguras e espaços que valorizem o papel educador do território e partem do entendimento de que a infância é um importante período de desenvolvimento físico, psíquico, social e humano. Uma forma de estabelecer uma relação saudável da criança com a cidade.

‘Simples’

"O incentivo ao uso compartilhado de espaços públicos é uma tendência”, disse Sylvia, para quem o poder público deve agir com sensibilidade e sempre aberto a inovações. “É necessário decidir com base em dados, planejamento, avaliando o número de pessoas atingidas, o investimento e o retorno esperado. E optar por ações simples, mas que podem trazer grandes benefícios para a população”, afirmou.

“Uma cidade boa para as crianças é uma cidade boa para todos”, disse Maria Sueli de Camargo, avó de Laura, de 11 anos, que participa do comitê desde o ano passado. “Eles discutem o que consideram questões mais importantes, fazem um documento e entregam ao prefeito. É um projeto diferente, inovador, que dá voz e autonomia às crianças e ensina responsabilidades para que elas possam achar meios de melhorar a cidade.”

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Análise: PPPs como um caminho para o crescimento

Cooperação entre governo e sociedade são essenciais para melhorar a qualidade dos serviços públicos

Luiz Felipe d’Ávila *, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 05h00

Prefeitos não têm tempo a perder com debates ideológicos. Não há política de “esquerda” e de “direita” para melhorar o trânsito ou tapar buracos nas ruas. Prefeitos precisam resolver os problemas da cidade. Por isso, são pragmáticos, objetivos e abertos às novas ideias e às parcerias público-privada.

Num País onde a despesa crescente com a máquina pública e o funcionalismo destrói a capacidade de investimento público, as parcerias público-privadas são essenciais para gerenciar melhor os serviços públicos, realizar investimentos que os governos não podem fazer e implementar soluções inovadoras que raramente brotam num ambiente estatal, sufocado por um emaranhado de regras, limitações e medo do gestor público de ter de responder por alguma ação de improbidade por ter feito algo inovador. Por isso, é animador ver gestores públicos que conseguem driblar essas dificuldades e propor soluções inovadoras para resolver os problemas que afetam a vida do cidadão.

O secretário de Mobilidade Urbana da prefeitura de Porto Alegre, Rodrigo Tortoriello, implementou uma solução simples e eficaz para ajudar os motoristas a enfrentar os congestionamentos na cidade. A prefeitura criou uma parceria com o aplicativo Waze para informar antecipadamente os motoristas sobre os desvios de trânsito e bloqueios nas ruas. A parceira também ajudou a prefeitura ter dados para planejar melhor o fluxo do trânsito e a realizar melhorias, como a mudança de circulação de vias.

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As parcerias público-privada revelam que a cooperação entre governo e sociedade são essenciais para melhorar a qualidade dos serviços públicos. Ajudaram a atenuar a rivalidade tola entre setores público e privado e abriram o caminho para parcerias, concessões privatizações que foram essenciais para livrar o poder público de serviços ineficientes, gastos exorbitantes e cabides de emprego. Em política pública, inovação não significa apenas mudanças transformadoras, mas pequenas mudanças que melhoram a vida do cidadão.

* FUNDADOR DO CENTRO DE LIDERANÇA PÚBLICA (CLP)

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