Por TV, PSDB antecipa troca de comando

Sigla vai realizar convenção em 19 de maio para usar imagens de Aécio, que será novo presidente tucano, em programas partidários

JOÃO DOMINGOS , EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h04

O PSDB decidiu antecipar do dia 25 para o dia 19 de maio a convenção que vai escolher o senador Aécio Neves (MG) como o novo presidente do partido, em substituição ao deputado Sérgio Guerra (PE). A mudança de data permitirá aos tucanos utilizar imagens da convenção e da eleição de Aécio no programa eleitoral do partido, que deverá ser exibido no final de maio. A ideia é utilizar também as imagens nos 40 comerciais, de 30 segundo cada, que serão veiculados entre os dias 23 e 1º de junho.

O programa do partido e os comerciais vão servir para tentar tornar Aécio, hoje com atuação restrita a Minas Gerais, em uma personalidade nacional. É com essa estratégia que o comando tucano pretender reforçar a imagem do senador, virtual candidato do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014. No período que antecede a escolha do novo presidente do partido, os dirigentes do PSDB pretendem percorrer o País com o presidenciável a tiracolo.

Na semana que vem, dia 4, a cúpula tucana viajará para Goiânia. Com as ideias que surgirem nos encontros o PSDB pretende montar seu programa de campanha para o ano que vem. "Nós vamos apresentar um dos projetos de governo mais ousados que já foram feitos", disse Aécio ontem em entrevista ao Estado.

Para ele, está na hora de renovar propostas a serem apresentadas para a administração do País nos próximos 10 a 20 anos. "Porque tudo o que PT tem executado foi criado pelo PSDB durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso", disse. "O PT não criou nada. Apenas copiou o que o programa do PSDB". Segundo Aécio, é preciso admitir que o PT aprofundou "um pouco mais" os programas de transferência de renda, com o Bolsa-Família, mas ficou nisso.

Divergência. O pré-lançamento da campanha de Aécio não é, no entanto, consensual no PSDB. Tucanos ligados ao ex-governador José Serra, duas vezes derrotado na disputa pela presidência da República ( 2002 e 2010), criticam a "antecipação" da campanha, um ano e meio antes das eleições de outubro de 2014. "Acho cedo demais. O desgaste é maior que os benefícios com a antecipação da campanha eleitoral", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que foi um dos cotados para ser o vice-presidente na chapa encabeçada por Serra em 2010. Dias é um dos tucanos favoráveis à realização de prévias no partido para a escolha do nome que enfrentará Dilma. Mas, depois do envolvimento de FHC na campanha de Aécio, o senador está certo de que prévias agora serão "encenação".

Líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), também ligado a Serra, está convencido que a antecipação da campanha presidencial beneficia a reeleição de Dilma . "Essa antecipação serve para justificar o lançamento da candidatura da presidente Dilma, que começou com fanfarra", disse o tucano. Em sua avaliação, a presidente estaria "exorcizando o fantasma" do ex-presidente Lula ao incentivar a antecipação da campanha à reeleição com tanta antecedência.

Tanto tucanos - FHC à frente - quanto petistas - Lula à frente - têm falado abertamente da eleição presidencial desde o fim do ano passado. Nas últimas semanas, a disputa pré-eleitoral entre os dois ex-presidentes ficou ainda mais acirrada, com discursos críticos realizados em eventos dos partidos. Além de Dilma e Aécio, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, e a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva também estão entre os nomes cotados para disputar o Palácio do Planalto em 2014.

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